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Fed: inflação alta demais ainda pede cautela, diz dirigente

Dólar e decisão do Fed

Dólar e decisão do Fed (Foto: Pexels)

A inflação segue sendo a pedra no sapato do Fed, mesmo com a economia americana mostrando sinais de crescimento e consumo estável. A presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack, afirmou nesta sexta-feira (17) que, no momento, não vê conflito entre os dois objetivos do banco central dos Estados Unidos: controlar os preços e manter o mercado de trabalho forte.

“A inflação está alta demais. O mercado de trabalho está em torno do meu nível máximo de emprego”, escreveu Hammack em publicação no LinkedIn.

A fala reforça a leitura de que parte dos dirigentes do Fed ainda vê pouco espaço para aliviar a política monetária enquanto a inflação permanecer acima da meta de 2%.

Fed ainda vê inflação como principal preocupação

Segundo Hammack, a inflação persistentemente alta é hoje a maior preocupação. Ela citou que o núcleo do índice de preços de gastos com consumo, o PCE, ficou em 3,3% após incorporar os dados divulgados nesta semana.

O núcleo do PCE exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia, e é uma das medidas de inflação mais acompanhadas pelo Fed para definir os rumos dos juros nos Estados Unidos.

“Para definir efetivamente a política monetária, preciso pensar não apenas em onde a economia estava, ou onde ela está hoje, mas também considerar para onde as coisas vão nos próximos seis ou 12 meses”, afirmou a dirigente.

Segundo Hammack, sua avaliação considera tanto os dados econômicos quanto conversas com líderes empresariais e comunitários.

Energia, seguros e IA entram no radar

A dirigente afirmou que líderes regionais vêm apontando custos de energia e interrupções na cadeia de suprimentos como fatores de pressão inflacionária.

Além disso, Hammack disse que também tem ouvido relatos sobre pressões vindas de seguros e da construção de data centers ligados à inteligência artificial.

“Pela primeira vez no meu mandato, estou ouvindo empresas que dizem achar que precisamos agir para conter a inflação, e de consumidores que não conseguem pagar as contas sobre um crescente sentimento de desespero”, acrescentou.

Apesar da preocupação com os preços, Hammack afirmou observar bons números de crescimento e gastos estáveis dos consumidores.

Juros dos EUA seguem no radar

A fala de Hammack ocorre em um momento em que investidores acompanham de perto os próximos passos do Fed. A combinação entre inflação ainda elevada, mercado de trabalho resiliente e consumo estável pode reforçar a postura cautelosa do banco central americano.

Para os mercados, qualquer sinal sobre juros nos Estados Unidos tem impacto direto sobre bolsas, câmbio e ativos de risco em economias emergentes, como o Brasil.

No caso do Fed, o recado de Hammack foi claro: enquanto o mercado de trabalho não mostrar uma piora relevante e a inflação seguir acima do desejado, a prioridade da política monetária tende a continuar concentrada no controle dos preços.

Com Estadão Conteúdo

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