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Como funcionam os ETFs de Tesouro IPCA+ com vencimento definido

ETFs. Foto: Freepik

ETFs. Foto: Freepik

Os ETFs de renda fixa podem oferecer estratégias bastante diferentes mesmo tendo como referência em comum títulos públicos corrigidos pela inflação, por exemplo. A principal distinção está na forma como a duration (a sensibilidade da carteira às mudanças nas taxas de juros) é administrada ao longo do tempo.

Na Itaú Asset, por exemplo, existem ETFs que mantêm essa sensibilidade relativamente constante e outros que acompanham títulos com vencimentos específicos. É o caso dos ETFs TD3511, TD5011 e TD6011, que seguem títulos públicos com vencimento em 2035, 2050 e 2060, respectivamente.

A diferença parece técnica, mas muda a forma como o investimento se comporta ao longo dos anos. Enquanto a duration dos primeiros é mantida por meio de rebalanceamentos, nos ETFs com vencimento definido ela diminui naturalmente à medida que a data de vencimento do título se aproxima.

Dois modelos de ETF de Tesouro IPCA+

Para entender a diferença, é preciso começar pelos ETFs de renda fixa que acompanham índices amplos de títulos públicos atrelados à inflação.

É o caso de B5P211, IMAB11 e IB5M11, da Itaú Asset. Esses fundos acompanham índices da família IMA-B, compostos por diferentes NTN-Bs. Como os títulos da carteira têm vencimentos variados, os índices são rebalanceados periodicamente para manter as características de prazo e duration previstas em sua metodologia.

Na prática, o investidor não está comprando uma carteira que caminha para uma única data de vencimento. A estratégia busca manter determinada exposição à curva de juros ao longo do tempo.

No B5P211, por exemplo, o índice de referência é o IMA-B5 P2, formado por títulos públicos indexados ao IPCA com prazo inferior a cinco anos e prazo médio de repactuação mínimo de dois anos.

Esse tipo de estrutura pode ser chamado de duration constante: o prazo dos títulos individuais muda, mas o índice realiza ajustes para preservar determinada característica de exposição à curva.

Como funcionam os ETFs com vencimento definido?

Os ETFs TD3511, TD5011 e TD6011 seguem uma lógica diferente. Cada um acompanha uma carteira vinculada a um título público com uma data específica de vencimento: 2035, 2050 e 2060, respectivamente.

Isso significa que o investidor consegue escolher não apenas uma exposição ao Tesouro IPCA+, mas também uma data de referência para a estratégia.

O efeito mais importante aparece na duration. Como o vencimento do título é conhecido, o tempo restante até essa data diminui naturalmente a cada ano. Consequentemente, a sensibilidade do investimento às mudanças nas taxas de juros também tende a diminuir.

É diferente de um índice como o IMA-B, que precisa ser rebalanceado para manter sua composição e características de prazo. Nos TDs, a aproximação do vencimento faz parte da própria dinâmica da estratégia.

Por que a duration diminui?

A duration é uma medida utilizada para estimar o impacto de uma mudança nas taxas de juros sobre o preço de um título. De forma simplificada, quanto maior a duration, maior tende a ser a variação do preço diante de uma alteração nos juros.

Imagine, por exemplo, um título que vence daqui a 20 anos. Uma mudança nas taxas de mercado terá um impacto diferente sobre seu preço do que teria sobre um título que vence daqui a três anos.

Nos ETFs TD3511, TD5011 e TD6011, essa característica muda com o passar do tempo. Um título que inicialmente possui um longo período até o vencimento vai ficando progressivamente mais curto. Com isso, a exposição à marcação a mercado diminui.

Esse mecanismo pode ser interessante para quem deseja combinar a possibilidade de valorização decorrente de mudanças nos juros com uma redução gradual da volatilidade conforme a data de vencimento se aproxima.

O que acontece quando o vencimento se aproxima?

O ETF não simplesmente permanece acompanhando o título específico até chegar ao último dia de sua existência. Existe uma regra para a transição da carteira.

Enquanto o prazo médio de repactuação permanece igual ou superior a 780 dias, os ETFs seguem a estratégia associada ao título de vencimento definido. Quando esse prazo cai abaixo desse limite, a carteira passa a acompanhar o IMA-B5 P2.

A mudança evita que o ETF fique progressivamente exposto a uma carteira com prazo excessivamente curto e mantém a estratégia dentro dos parâmetros necessários para sua estrutura tributária.

Qual é a diferença na prática entre os ETFs?

A melhor maneira de visualizar os dois modelos é pensar no que acontece com a exposição ao longo do tempo.

Nos ETFs de duration constante, como B5P211, IMAB11 e IB5M11, o índice é rebalanceado para preservar suas características. O investidor mantém uma exposição relativamente estável à dinâmica da curva de juros, sem uma data específica para o encerramento da estratégia.

Nos ETFs de vencimento definido, como TD3511, TD5011 e TD6011, a duration diminui naturalmente conforme a data de referência se aproxima. O investidor, portanto, começa com uma determinada sensibilidade aos juros e vê essa exposição diminuir gradualmente.

Isso também muda o comportamento diante de uma alteração nos juros. Um ETF com duration maior tende a reagir mais intensamente tanto a uma queda quanto a uma alta das taxas. À medida que a duration diminui, esse efeito tende a ser menor.

Uma escolha entre diferentes formas de carregar o risco de juros

A diferença entre as duas famílias de ETFs, portanto, não está simplesmente em qual delas oferece maior retorno. O ponto central é como o investidor deseja carregar a exposição à curva de juros.

Quem busca uma exposição mais estável às taxas pode recorrer a índices de duration constante, como os acompanhados por B5P211, IMAB11 e IB5M11. Já quem prefere uma estratégia vinculada a uma data específica e com sensibilidade decrescente ao longo do tempo pode encontrar nos TD3511, TD5011 e TD6011 uma alternativa.

Em ambos os casos, entender a duration é fundamental. Ela ajuda a explicar não apenas o potencial de valorização dos ETFs de renda fixa quando os juros caem, mas também o risco de perdas quando as taxas sobem.

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