Em julho, o NDIV11, ETF de dividendos da Nu Asset, conseguiu uma receita adicional equivalente a 1,03% ao ano, que mais do que compensou a taxa de administração cobrada pelo fundo, de 0,50%. A diferença resultou em um efeito líquido positivo de 0,53% na cota, no melhor resultado da série de 12 meses.
O mecanismo por trás desse resultado é o aluguel de ações, uma operação que permite ao fundo emprestar temporariamente papéis de sua carteira a outros participantes do mercado em troca de uma remuneração. Em 31 de julho deste ano, data-base do último relatório gerencial divulgado pelo fundo, 22,4% da carteira do NDIV11 estava alugada.
Na média dos últimos 12 meses, a receita obtida com o aluguel ficou em 0,46% ao ano, praticamente compensando a taxa de administração de 0,50%. O efeito acumulado no período foi de -0,04%, ou seja, a receita gerada pelo empréstimo das ações quase neutralizou o custo de administração do ETF.
Como funciona o aluguel de ações?
O aluguel de ações, também chamado de empréstimo de ativos, ocorre quando o proprietário de determinados papéis permite que outro participante do mercado utilize esses ativos por um período determinado, mediante o pagamento de uma remuneração.
No caso do NDIV11, as ações pertencem ao próprio fundo. Uma parcela da carteira pode ser disponibilizada para esse tipo de operação, gerando uma receita adicional para o patrimônio do ETF.
Isso não significa que os papéis sejam vendidos. As ações continuam fazendo parte da carteira do fundo, mas ficam temporariamente emprestadas dentro da operação de aluguel.
Segundo a Nu Asset, a estratégia faz parte da estrutura do NDIV11 justamente com o objetivo de compensar parcial ou totalmente o efeito da taxa de administração sobre a performance do fundo.
A dinâmica é relativamente simples: enquanto a taxa de administração representa uma despesa para o fundo, o aluguel das ações gera uma receita. Quando essa receita é suficiente, o impacto líquido dos dois itens sobre o patrimônio do ETF diminui.
Em julho, a receita foi mais do que suficiente para cobrir a taxa. O aluguel, anualizado, chegou a 1,03%, contra 0,50% da administração, gerando uma diferença positiva de 0,53 ponto percentual.
O aluguel sempre cobre a taxa de administração?
A receita obtida com o aluguel de ações varia de acordo com as condições do mercado, a demanda pelos papéis e a parcela da carteira que está efetivamente alugada.
Por isso, o resultado de julho foi excepcional dentro da série analisada pela Nu Asset. Nos meses anteriores, a receita foi menor e, em boa parte deles, não chegou a compensar integralmente a taxa de administração.
A série de 12 meses mostra, por exemplo, receitas anualizadas de 0,19% em agosto de 2025, 0,24% em setembro e 0,18% em outubro. Em novembro e dezembro, os percentuais subiram para 0,66% e 0,63%, respectivamente. Em janeiro de 2026, chegaram a 0,86%. Depois, a receita voltou a oscilar até atingir o pico de 1,03% em julho.
Ainda assim, quando considerado o período de 12 meses como um todo, o mecanismo teve impacto relevante. A receita média de 0,46% ficou próxima da taxa de administração de 0,50%, levando a um efeito acumulado de apenas -0,04%.
Por que a Nu Asset aluga as ações do NDIV11?
O aluguel aproveita os próprios ativos que já fazem parte da carteira do ETF e cria uma fonte complementar de receita sem alterar a estratégia principal do fundo.
O NDIV11 busca replicar o Ibovespa Smart Dividendos, índice composto por ações selecionadas com base em critérios relacionados à distribuição de dividendos. A gestão é indexada, com replicação completa do índice.
Assim, a estratégia principal do produto continua sendo oferecer exposição a uma carteira de ações com foco em dividendos. O aluguel funciona como uma camada adicional dentro da estrutura do ETF.
Na data-base de 31 de julho, 22,4% da carteira estava alugada, mostrando que uma parcela relevante dos ativos do fundo estava sendo utilizada para gerar essa receita complementar.
Para o cotista do ETF, o benefício não aparece como um pagamento separado. A receita obtida com o aluguel é incorporada ao patrimônio do fundo e contribui para o resultado da cota.
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