O UBS BB elevou o preço-alvo das ações da Engie Brasil (EGIE3), mas manteve a recomendação de venda para os papéis. De acordo com um relatório divulgado pela casa nesta segunda-feira (4), a cotação justa para os ativos agora é de R$ 30 por ação, frente a R$ 27 da análise anterior.
Apesar da revisão positiva, o UBS BB segue com uma visão cautelosa para a companhia, avaliando que o valuation ainda limita o potencial de valorização das ações. Na visão dos analistas, a Engie é um operador de qualidade, com portfólio robusto e crescente previsibilidade de receitas, mas negocia a múltiplos considerados pouco atrativos.
Além disso, o UBS BB projeta um retorno total negativo para o papel nos próximos 12 meses, com uma taxa interna de retorno real estimada de 6,5%, abaixo da média de 9% das empresas sob sua cobertura. O relatório também chama atenção para a perspectiva de queda nos dividendos, em meio a um ciclo mais intenso de investimentos e aumento da alavancagem.
Por que o UBS elevou o preço-alvo de EGIE3, mas manteve venda
A elevação do preço-alvo das ações EGIE3 está ligada, principalmente, à revisão para cima das estimativas de preços de energia no longo prazo, o que melhora as projeções de geração de caixa da companhia. “Aumentamos nosso preço-alvo principalmente devido à revisão para cima dos preços de energia”, destacam os analistas.
Ainda assim, o UBS BB avalia que esse fator não é suficiente para tornar o papel atrativo. Isso porque a empresa atravessa um período de forte necessidade de capital, com investimentos relevantes em projetos de transmissão e compromissos assumidos em leilões de capacidade, além do pagamento antecipado de cerca de R$ 2,3 bilhões relacionado ao uso de ativos públicos (UBP).
Na prática, esse cenário tende a pressionar a distribuição de dividendos e elevar o nível de endividamento no curto e médio prazo.
“O intenso capex, junto ao compromisso com o LRCAP e o pagamento da UBP, deve pressionar dividendos e alavancagem”, afirma o relatório.
Outro ponto de atenção é o possível movimento para internalizar a participação de 40% na usina hidrelétrica de Jirau, hoje nas mãos do controlador. Segundo o UBS BB, a operação pode envolver uma oferta de ações e gerar diluição para os acionistas, embora seja vista como estratégica no longo prazo.
No campo operacional, o banco destaca uma mudança relevante na estratégia da companhia, que vem reduzindo a exposição a fontes mais voláteis, como renováveis sujeitas a cortes de geração (curtailment), e ampliando a presença em ativos com receitas mais previsíveis, como transmissão e contratos de capacidade.
“A empresa tem migrado seu foco para fontes de receita mais seguras e previsíveis”, aponta o UBS BB.
Mesmo com esse avanço, a avaliação é de que o equilíbrio entre risco e retorno ainda não favorece o investimento nas ações da Engie (EGIE3) neste momento.
