A exposição internacional ganhou espaço nas discussões sobre investimentos durante o Suno Invest 2026. No painel sobre investimento internacional, Marcela Rocha, da Avenue, afirmou que enviar recursos para o exterior e comprar ações brasileiras negociadas em dólar não elimina a concentração do patrimônio no Brasil.
“Você não está diversificando internacionalmente, você está dolarizando”, disse Marcela. Segundo ela, a diversificação internacional exige combinar ativos, setores e economias com comportamentos diferentes, e não apenas trocar a moeda de referência da aplicação.
Diversificação internacional não é apenas proteção cambial
O dólar exerce duas funções para o investidor brasileiro. No curto prazo, sua cotação varia de acordo com juros, atividade econômica, política monetária e acontecimentos internacionais. Esse é o componente conjuntural da moeda.
Existe também uma dimensão estrutural. O dólar continua sendo a principal moeda usada em reservas, comércio e mercados financeiros globais. Dados do Federal Reserve mostram que a moeda americana representava 58% das reservas cambiais oficiais divulgadas em 2024, à frente do euro, com 20%. (Federal Reserve)
Durante o evento, Marcela afirmou que ainda não há um substituto óbvio para o dólar. O euro enfrenta limitações fiscais e institucionais, enquanto outras moedas não têm, em conjunto, a mesma liquidez, profundidade de mercado e aceitação internacional.
Isso não significa que a cotação do dólar subirá continuamente. A moeda pode se valorizar ou perder força conforme mudam os juros nos Estados Unidos, as condições econômicas e o fluxo de recursos entre os países.
Comprar Petrobras ou Vale fora do Brasil não muda o risco da empresa
Um exemplo citado no painel envolve os recibos de ações brasileiras negociados no exterior. Um investidor pode comprar ADRs da Petrobras (PETR3; PETR4) ou da Vale (VALE3) em dólares, mas continuará exposto a companhias cujos resultados dependem principalmente da economia brasileira, das commodities e das decisões tomadas no país.
A operação oferece exposição cambial, mas não necessariamente diversificação econômica. Se os ativos brasileiros caírem por causa de uma crise doméstica, o investidor continuará sujeito a esse movimento, ainda que a aplicação esteja registrada em dólar.
A diferença é importante porque empresas brasileiras podem ter receitas em dólar e ações negociadas no exterior, mas continuam ligadas a fatores como regulação local, custos em reais, tributação brasileira e condições do mercado doméstico.
Por que olhar para outros mercados?
Marcela destacou que o Brasil representa uma parcela pequena do mercado de capitais global. Ao buscar ativos no exterior, o investidor pode acessar empresas e setores pouco representados na Bolsa brasileira, como tecnologia, biotecnologia, infraestrutura digital e diferentes segmentos da indústria.
A lógica da diversificação é distribuir o patrimônio entre economias que não respondam da mesma forma aos mesmos eventos. Uma carteira concentrada em renda, imóveis, empresas e títulos brasileiros tende a carregar riscos semelhantes: inflação doméstica, juros locais, atividade econômica e variação do real.
A alocação internacional pode incluir renda fixa, ações, fundos e outros instrumentos. Cada alternativa tem riscos próprios, como variação cambial, volatilidade, tributação, custos de remessa e regras do país onde o investimento é realizado.
Diversificar exige pensar em estrutura
A exposição internacional não precisa ser tratada como uma decisão isolada ou como uma aposta sobre a próxima alta do dólar. No painel, a orientação foi pensar a parcela internacional como parte estrutural da carteira, levando em conta objetivos, prazo e necessidade de liquidez.
“Diversificar internacionalmente não é proteção cambial. É buscar oportunidades, teses e retornos diferentes”, resumiu Marcela Rocha durante o Suno Invest 2026. É essa combinação de moedas, mercados e fontes de retorno que define a diversificação internacional.
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