O atual conflito no Oriente Médio não deve se prolongar por muito tempo e, portanto, seus efeitos sobre a inflação, especialmente via petróleo, tendem a ser temporários. A avaliação é de Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, durante painel no FIIs Experience.
Segundo ele, diferentemente da Guerra da Ucrânia, o embate envolvendo Israel, Irã e o estratégico Estreito de Ormuz tem características que indicam uma resolução mais rápida.
“A guerra deve durar mais semanas ou dias. Não deve ser um conflito prolongado como vimos recentemente em outros cenários”, afirmou.
Política americana pode acelerar desfecho
Para Sung, o calendário político dos Estados Unidos é um fator central para entender a dinâmica do conflito. Com as eleições de meio de mandato previstas para novembro, o economista avalia que o atual governo americano terá incentivos para buscar uma solução rápida, especialmente diante do impacto do conflito sobre o preço dos combustíveis.
Ele cita o desgaste na popularidade do presidente Donald Trump, pressionado pelo aumento da gasolina, diretamente ligado às tensões geopolíticas.
“Esse é um problema que afeta o eleitor. Por isso, a tendência é que haja um esforço para normalizar a situação o quanto antes”, disse.
Ciclo de corte de juros deve se concretizar em 2027
Na leitura do economista, o choque no petróleo deve ser passageiro, mas o mercado ainda tenta calibrar a duração desse impacto.
“A questão do petróleo tende a ser um choque temporário. O desafio é entender o quão breve ele será”, afirmou.
O cenário de normalização, segundo Sung, abre espaço para uma mudança mais estrutural à frente. Ele projeta a possibilidade de um ciclo de corte de juros se concretizar em 2027.
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