A CSN Mineração (CMIN3) virou aquele papel que faz o investidor olhar duas vezes para a tela. Mesmo com analistas esperando um segundo trimestre pressionado, as ações dispararam em julho, embaladas por uma mistura de recompra, melhora na percepção para o minério de ferro e mercado olhando um pouco além do balanço mais próximo. A pergunta é: por que a CMIN3 sobe tanto se o 2T26 ainda deve vir fraco?
Segundo dados históricos de mercado, a CMIN3 saiu de R$ 4,16 no fechamento de 1º de julho para R$ 5,77 no fechamento da última segunda-feira (27 de julho), uma alta de 38,7% no período. No dia seguinte, o papel aparecia cotado a R$ 5,80.
A valorização chama atenção porque não veio acompanhada de uma expectativa exatamente confortável para o resultado do segundo trimestre. Pelo contrário: casas de análise ainda projetam margens pressionadas, custos mais altos e impacto negativo do frete marítimo.
Por que CMIN3 subiu tanto em julho?
Um dos principais gatilhos foi a recompra de ações. A CSN Mineração (CMIN3) ampliou o limite de seu programa para até 100 milhões de ações ordinárias. Antes, o limite era de 50 milhões de papéis.
Na prática, esse tipo de programa costuma ser bem recebido pelo mercado porque pode reduzir a quantidade de ações em circulação, caso os papéis sejam cancelados, e aumentar a participação proporcional dos acionistas que permanecem na companhia.
Também há um componente técnico importante. A recompra aconteceu em um momento de menor liquidez do mercado, o que pode ter ampliado o movimento de alta. Quando uma ação sobe forte e há investidores vendidos no papel, parte deles pode ser obrigada a recomprar as ações para zerar posições, acelerando ainda mais a valorização.
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Mercado olha além do 2T26
Outro ponto que ajuda a explicar a alta é a recuperação do minério de ferro. A melhora da commodity tende a favorecer empresas do setor, como a CSN Mineração, especialmente quando o mercado começa a antecipar um segundo semestre mais favorável.
Além disso, dados recentes de exportação também ajudaram na leitura mais positiva. Em junho, as exportações de minério de ferro da companhia avançaram 18%, o que reforçou a percepção de melhora operacional, ainda que o trimestre continue pressionado em termos de rentabilidade.
Mesmo assim, o 2T26 não deve ser simples. O Safra estima que a CSN Mineração reporte Ebitda ajustado próximo de R$ 964 milhões no trimestre, queda de 32% em relação ao primeiro trimestre. A pressão viria principalmente de preços realizados mais fracos do minério de ferro, apesar do avanço nos embarques e da redução de custos por tonelada.
A Genial também projeta compressão de margem no período. Em prévia do 2T26, a casa estimou Ebitda ajustado de R$ 821 milhões, queda de 42% na comparação trimestral e de 35% na anual. Segundo a análise, o frete marítimo deve ser um dos principais pontos de pressão.
Ou seja, a alta recente da CMIN3 não significa que o mercado esteja ignorando os riscos do balanço. A leitura é que parte dos investidores pode estar olhando para depois do 2T26, em busca de uma combinação entre minério mais forte, recompra de ações e possível normalização de custos.
No Status Invest, a CSN Mineração (CMIN3) aparece com P/L de 14,13 vezes, P/VP de 4,45 vezes, EV/Ebitda de 4,17 vezes e dividend yield de 6,65%. A margem Ebitda está em 42,74%, enquanto o ROE é de 31,49% e a dívida líquida/Ebitda é de apenas 0,04 vez.
Esses indicadores ajudam a manter a ação no radar, mas também mostram que a tese depende da recuperação de resultados. Para a CMIN3, o mercado parece estar olhando menos para o 2T26 isolado e mais para o que pode vir depois: recompra, minério de ferro, segundo semestre e uma possível melhora nas margens da CSN Mineração.
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