Depois de meses de pressão sobre os preços, o mercado de celulose começa a emitir alguns sinais de que a queda pode estar perto de encontrar um piso. A XP vê melhora nas encomendas na Europa e na China, estoques equilibrados de celulose e níveis baixos de produtos acabados entre consumidores chineses, combinação que pode ajudar a estabilizar as cotações da fibra curta após as correções recentes.
A leitura ganhou força após um encontro da casa com Alexandre Nicolini, executivo global de Celulose da Klabin. Segundo o relatório, o preço da BHKP, referência para a celulose de fibra curta na China, pode se aproximar da faixa de US$ 550 a US$ 560 por tonelada antes de encontrar maior sustentação.
Na fotografia mais recente apresentada pela XP, a BHKP era negociada a US$ 563 por tonelada na China, enquanto os contratos futuros para setembro estavam em aproximadamente US$ 568. Para a casa, o comportamento dos futuros ligeiramente acima do mercado à vista é mais um elemento a acompanhar depois da sequência de quedas.
China começa a dar sinais de estabilização
O mercado chinês continua sendo decisivo para os preços globais da celulose e foi justamente a demanda mais fraca no país que limitou uma recuperação mais consistente nos últimos meses.
Agora, alguns indicadores aparecem menos deteriorados. A avaliação apresentada no relatório é de que os estoques de celulose estão equilibrados, enquanto os estoques nas etapas seguintes da cadeia permanecem baixos.
Na Europa, os livros de pedidos também vêm apresentando melhora, contribuindo para a percepção de que os preços da fibra curta podem estar se aproximando de um piso.
A situação é diferente na fibra longa. O preço líquido da NBSK na China estava em US$ 613 por tonelada, acima dos US$ 563 da BHKP. A expectativa é de que a racionalização de capacidade ajude gradualmente a melhorar o equilíbrio desse mercado.
Já a celulose fluff, utilizada principalmente em produtos absorventes, aparece como uma das áreas mais construtivas do setor. A demanda segue forte, especialmente em produtos para incontinência adulta, enquanto os preços mantêm prêmios atrativos frente às categorias tradicionais de celulose.
Suzano, Klabin e Irani têm recomendação de compra
Mesmo diante de um cenário ainda desafiador para os preços, a XP mantém recomendação de compra para os três nomes brasileiros acompanhados no relatório: Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11) e Irani (RANI3).
Entre eles, o maior potencial de valorização estimado está na Suzano. A XP trabalha com preço-alvo de R$ 66 para SUZB3, frente a uma cotação de R$ 42,03 considerada no relatório, o que implica potencial de alta de aproximadamente 57%.
Para a Klabin (KLBN11), o preço-alvo é de R$ 25, diante dos R$ 17,55 usados como referência, equivalente a um upside de cerca de 42%.
Já a Irani (RANI3) aparece com preço-alvo de R$ 10, ante R$ 7,73, apontando espaço para valorização de aproximadamente 29%.
A XP projeta Ebitda de R$ 22,58 bilhões para a Suzano em 2026, subindo para R$ 24,61 bilhões em 2027. Para a Klabin, as estimativas são de R$ 7,77 bilhões e R$ 8,08 bilhões, respectivamente, enquanto a Irani pode alcançar R$ 523 milhões neste ano e R$ 566 milhões no próximo.
Suzano negocia com desconto, diz XP
A Suzano também chama atenção pelo valuation. Segundo a XP, a companhia negocia abaixo de sua média histórica, com múltiplo EV/Ebitda estimado em 5,5 vezes para 2026 e 5 vezes para 2027.
A casa calcula ainda que, considerando preços de celulose próximos aos níveis atuais, o free cash flow yield da empresa em 2026 pode ficar ao redor de 14%, embora o indicador varie de maneira relevante conforme câmbio e preço da fibra.
Na Klabin, o EV/Ebitda projetado é de 6,9 vezes para 2026 e 6,7 vezes para 2027. A companhia tem uma característica diferente dentro do setor por sua exposição também a embalagens e papéis, além da produção de diferentes tipos de celulose.
No Brasil, os embarques de papelão ondulado também trouxeram um dado mais favorável. Eles chegaram a aproximadamente 380 mil toneladas em julho, crescimento de 7% frente ao mês anterior e estabilidade em relação ao mesmo período de 2025, marcando o maior volume mensal de 2026.
Recuperação ainda não está garantida
Os sinais de estabilização não significam que uma nova rodada de altas esteja contratada. O próprio relatório chama atenção para obstáculos que ainda limitam uma recuperação mais forte da celulose, especialmente a fraqueza da demanda chinesa e o aumento de capacidade produtiva no país.
Nos Estados Unidos, outra parte do mercado de papel também encontra resistência. Novos reajustes anunciados por grandes produtores de containerboard enfrentaram oposição de convertedores independentes, que argumentam que a demanda por caixas de papelão permanece fraca e que aumentos anteriores ainda não foram totalmente absorvidos.
Para o mercado de celulose, portanto, a mudança de tom é mais de estabilização do que de retomada acelerada. A XP continua enxergando riscos para os fundamentos globais, mas avalia que os níveis atuais de preços e valuations mantêm oportunidades nas ações brasileiras, com Suzano (SUZB3) oferecendo o maior potencial de valorização entre os três nomes analisados.
