A C&A (CEAB3) atravessou um quarto trimestre desafiador, marcado por desaceleração no consumo e um ambiente mais promocional no varejo de moda. Ainda assim, apesar da fraqueza operacional no período, o BTG Pactual mantém visão construtiva para a companhia e projeta potencial de valorização superior a 50% para as ações.
No 4T25, as vendas consolidadas recuaram 3% na comparação anual, somando R$ 2,5 bilhões. O crescimento de vendas mesmas lojas (SSS) em vestuário desacelerou para queda de 0,3%, bem abaixo do avanço de 12% registrado no mesmo período do ano anterior. Segundo a administração da companhia, temperaturas mais amenas e um ambiente promocional mais intenso pressionaram o desempenho, direcionando a demanda para produtos de menor ticket médio.
Margens resistem, lucro surpreende positivamente
Apesar da pressão nas vendas, a margem bruta consolidada avançou 120 pontos-base, atingindo 56,1%, impulsionada por maior disciplina de preços e gestão de sortimento. O EBITDA ajustado totalizou R$ 560 milhões, queda de 6% na comparação anual, mas em linha com as expectativas do BTG.
O lucro líquido ajustado, por sua vez, surpreendeu positivamente, somando R$ 270 milhões, alta de 8% em relação ao ano anterior e 8% acima das estimativas do banco.
Em relatório, os analistas Luiz Guanais e Yan Cesquim destacaram que os números vieram “em linha com as expectativas, apesar da desaceleração relevante no crescimento de vendas e da leve desalavancagem operacional”, reforçando que o cenário já era antecipado pelo mercado.
Crédito mais conservador e aposta na eficiência
A divisão financeira também apresentou retração, com receitas de crédito caindo 29% ano contra ano, reflexo de uma postura mais conservadora na concessão e do encerramento da parceria com o Bradescard no segundo trimestre.
Ainda assim, o BTG vê avanços estruturais importantes. A penetração do C&A Pay atingiu 27,5% das vendas, avanço de dois pontos percentuais em 12 meses, indicando maior relevância dos serviços financeiros próprios.
Mesmo reconhecendo a desaceleração do consumo no segundo semestre de 2025, os analistas mantiveram recomendação de compra para CEAB3. Segundo eles, a companhia “segue melhorando produtividade e rentabilidade das lojas, mantendo disciplina nas operações de crédito”, o que reduz riscos em um ambiente de juros ainda elevados.
Com as ações negociadas a cerca de 8 vezes o lucro projetado para 2026, o BTG avalia que ainda há espaço relevante para eficiência operacional adicional. Por isso, reiterou a recomendação Buy para C&A (CEAB3), com preço-alvo de R$ 19, o que implica potencial de valorização de aproximadamente 50% frente à cotação atual.
