A carteira recomendada de março chega com um recado claro: depois do rali recente, a seletividade virou regra. Bancos, utilities e exportadoras seguem dominando as escolhas das principais casas, com Itaú Unibanco (ITUB4), Vale (VALE3) e Axia Energia (AXIA6) entre os nomes mais recorrentes nas carteiras de março.
O Itaú reportou lucro de R$ 12,3 bilhões no 4T25, com ROE de 24,4% e crescimento relevante da carteira de crédito, sustentando a leitura de rentabilidade consistente mesmo em ambiente desafiador. A Vale, por sua vez, apresentou produção recorde de 90,4 Mt no trimestre e manteve alavancagem em 0,7x, reforçando disciplina de capital e geração de caixa. Já a Axia mostrou EBITDA ajustado acima das expectativas e encerrou o ano com dívida líquida R$ 2 bilhões abaixo da projeção, evidenciando fortalecimento do balanço.
Fluxo estrangeiro sustenta estratégia, mas valuation exige seletividade
Entre as casas, o Banco BTG Pactual destaca que “o dinheiro continua vindo”, apontando fluxo estrangeiro acumulado de R$ 41,6 bilhões no ano, movimento que levou as ações brasileiras a negociarem “muito próximas de sua média histórica”. No portfólio 10SIM, o banco ampliou a exposição a utilities, elevando o peso da Axia e mantendo nomes ligados a fluxo de caixa e ativos reais.
Na mesma linha, o BB Investimentos incluiu AXIA6, AURE3 e CEAB3 em sua Carteira 5+, reforçando a concentração setorial em utilities e consumo, após desempenho acumulado de 14,7% no ano até fevereiro. Já a Genial Investimentos observa que o Ibovespa negocia a 10,6x P/L projetado para 12 meses, em linha com a média histórica, enquanto small caps ainda apresentam desconto relevante, mas alerta que “a assimetria do mercado está negativa”, sugerindo cautela em novas alocações.
Os relatórios também reforçam teses específicas. A Rede D’Or São Luiz (RDOR3) entregou crescimento de dois dígitos em receita e EBITDA no 4T25, enquanto a Telefônica Brasil (VIVT3) anunciou recompra de até R$ 1 bilhão, sustentando geração de caixa e retorno ao acionista. O Bradesco (BBDC4) também aparece entre as apostas, após lucro de R$ 6,5 bilhões no trimestre e ROE de 15,2%, refletindo recuperação gradual.
Fora dos relatórios proprietários, a carteira TOP 10 da Ágora Investimentos adicionou nomes como BPAC11, SUZB3, SBSP3 e PETR4, mantendo exposição equilibrada entre bancos, commodities e saneamento. No conjunto, as recomendações convergem para empresas com balanços mais sólidos, capacidade de geração de caixa e menor dependência de expansão agressiva de múltiplos.
No pano de fundo, o BTG projeta que, a 14x P/L, o Ibovespa poderia atingir 237 mil pontos, implicando potencial de valorização de 25%. Ainda assim, a própria casa reconhece que, nos níveis atuais, “há muito precificado” — o que ajuda a explicar por que a carteira recomendada de março combina convicção em nomes específicos com maior disciplina na alocação.
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