O avanço da inteligência artificial transformou o planejamento de investimentos das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Durante o Suno Invest 2026, Marcela Rocha, da Avenue, afirmou que o debate deixou de ser apenas sobre a existência de uma bolha e passou a se concentrar em uma pergunta mais objetiva: quando o retorno do capital investido começará a compensar o tamanho dos desembolsos?
O chamado capex de IA inclui gastos com data centers, servidores, chips, redes, energia e outros equipamentos necessários para treinar e operar sistemas de inteligência artificial. As empresas conhecidas como hyperscalers — grandes companhias de nuvem e infraestrutura digital — estão no centro desse movimento.
Empresas de tecnologia ampliam investimentos
Marcela mencionou no painel projeções de investimentos dos hyperscalers de aproximadamente US$ 780 bilhões em 2026, US$ 1 trilhão em 2027 e US$ 1,2 trilhão em 2028. Os valores foram apresentados como estimativas para o conjunto das grandes empresas do setor.
O desembolso elevado tem sido acompanhado por forte demanda por capacidade computacional. Segundo a executiva, data centers, GPUs e semicondutores permanecem com encomendas elevadas, enquanto empresas de nuvem já começam a transformar a procura por inteligência artificial em receita.
A monetização, porém, ocorre em ritmos diferentes. O painel apontou maior visibilidade nos negócios de chips, semicondutores e serviços de nuvem. Em áreas como infraestrutura de energia, aplicações corporativas e modelos fundamentais de IA, o retorno ainda é mais difícil de medir.
O que observar antes de investir em ações
A expansão do capex não garante, por si só, crescimento de lucro. Para as companhias, o investimento precisa gerar receita suficiente para cobrir depreciação, custos de financiamento, energia, manutenção e atualização dos equipamentos.
Por isso, a avaliação passa por indicadores como crescimento da receita, margem, geração de caixa, carteira de contratos e capacidade de repassar custos aos clientes. Empresas que fornecem a infraestrutura podem se beneficiar antes das companhias que desenvolvem aplicações finais, mas também enfrentam ciclos de investimento e concorrência intensa.
Marcela afirmou que a palavra central para o setor será “seletividade”, combinada à diversificação. A observação vale para a composição da carteira e para a análise dos diferentes elos da cadeia de inteligência artificial.
Dívida das empresas de IA disputa espaço com o Tesouro dos EUA
Outro ponto discutido no evento foi a necessidade de financiamento. As empresas de tecnologia têm recorrido ao mercado de dívida para financiar parte do capex de IA, aumentando a oferta de títulos corporativos.
Na prática, esses papéis passam a disputar recursos com títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Quando muitos emissores buscam dinheiro ao mesmo tempo, os investidores podem exigir taxas maiores para comprar os títulos, especialmente quando percebem aumento do risco ou da alavancagem.
Para quem investe em renda fixa americana, isso amplia o número de alternativas, mas exige atenção ao prazo, ao risco de crédito, à moeda e à sensibilidade dos títulos às decisões do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
Renda fixa e ações cumprem papéis diferentes
A renda fixa americana pode ser usada para buscar previsibilidade de fluxo e exposição ao dólar, enquanto as ações oferecem participação no crescimento das empresas e maior potencial de oscilação. Os dois mercados podem reagir de formas diferentes ao ciclo de juros e aos resultados das companhias.
No caso das ações, a expansão da inteligência artificial pode beneficiar fornecedores de chips, fabricantes de equipamentos, empresas de nuvem e companhias de software. No entanto, o desempenho de cada negócio depende da capacidade de converter investimento em lucro e fluxo de caixa.
Já nos títulos de dívida, o investidor precisa acompanhar a qualidade do emissor e o custo de financiamento. A expansão do setor pode criar oportunidades, mas também elevar a competição por capital.
A discussão sobre o capex de IA no Suno Invest 2026 terminou sem uma resposta única sobre quais empresas vencerão a próxima etapa. O painel destacou que a demanda existe, mas que a diferença entre investimento, receita e retorno ainda será construída trimestre a trimestre.
Notícias Relacionadas
