O fundo de investimento imobiliário BRCO11 iniciou o ano com forte aceleração de resultados. Em janeiro, o FII apurou ganho líquido de R$ 26,517 milhões, mais que o dobro dos R$ 11,607 milhões de dezembro. O desempenho reflete a combinação de receitas financeiras extraordinárias e avanço das receitas imobiliárias, sustentando a distribuição de proventos e a manutenção de lucro em caixa não distribuído.
As receitas totais do mês somaram R$ 30,313 milhões, enquanto as despesas ficaram em R$ 3,796 milhões. No lado operacional, a administração reportou custos concentrados na desocupação dos ativos Bresco Embu e Bresco Canoas, além do seguro do Bresco Resende. Houve ainda despesas gerais ligadas à parcela final do rating da S&P e aos laudos avaliativos patrimoniais.
O principal vetor do resultado foi o ativo Bresco Viracopos. Antes da dissolução da SPE, em 2 de janeiro, o fundo recebeu R$ 9,9 milhões em Juros sobre Capital Próprio, reforçando o caixa. Em seguida, entraram mais R$ 3,1 milhões provenientes dos aluguéis do imóvel, o que ajudou a elevar as receitas imobiliárias do período e a base de distribuição.
Com essa performance, o fundo imobiliário BRCO11 definiu proventos de R$ 0,87 por cota, o que implica dividend yield anualizado de 8,7% sobre o preço de fechamento de janeiro. A distribuição de dividendos do BRCO11 correspondeu a 59,1% do resultado em caixa do mês, preservando margem para recomposição de reservas e suavização de pagamentos futuros.
A gestão destacou que o FII mantém lucro caixa acumulado não distribuído de R$ 34,8 milhões, equivalente a R$ 1,93 por cota. Esse colchão reforça a previsibilidade dos rendimentos em um cenário de readequações operacionais e custos financeiros mais altos devido aos juros do financiamento usado nas aquisições de Bresco Viracopos e Bresco Simões Filho.
Características e portfólio do BRCO11
- O portfólio soma 14 ativos logísticos e 591 mil m² de ABL, com potencial de expansão de até 15% e receita anual estabilizada acima de R$ 213 milhões. A taxa de vacância física está em 7%, com prazo médio remanescente de 4,8 anos nos contratos, 36% deles atípicos, o que confere maior previsibilidade às receitas. Em perfil locatário, 52% têm rating AAA (br) ou AA (br), 22% grau de investimento e 26% outras categorias; no total, mais de 74% equivalem a grau de investimento.
Distribuição geográfica e qualidade dos ativos
- São Paulo responde por 51% da exposição do FII BRCO11, seguido por Bahia (14%), Minas Gerais (12%), Alagoas (9%), Rio Grande do Sul (6%), Paraná (4%) e Rio de Janeiro (4%). Cerca de 23% da ABL está até 25 km da capital paulista. Os ativos last mile somam 71% das receitas; 13 de 14 imóveis são A+, enquanto 19% se enquadram em outras classificações. Com essa combinação, o BRCO11 consolida um portfólio resiliente e orientado a locatários de alta qualidade.
