O dinheiro voltou a dar alguns sinais de apetite pela Bolsa brasileira, mas o investidor local ainda parece preferir o conforto da renda fixa. Segundo relatório “Brazil: Follow the Money”, do BTG Pactual (BPAC11), os aportes de estrangeiros em ações brasileiras somam R$ 38,6 bilhões em 2026.
O número mostra uma melhora importante em relação a 2024, quando houve saída líquida de R$ 32,1 bilhões. Ainda assim, o movimento perdeu força depois de abril, com resgates em maio e junho, antes de uma nova entrada em julho.
Em julho, o fluxo estrangeiro para ações brasileiras aparece positivo em R$ 4,7 bilhões, segundo dados da B3 (B3SA3) e da Bloomberg compilados pelo BTG.
Principais indicadores do relatório
O volume financeiro médio negociado na Bolsa também subiu. O ADTV da Bovespa está em R$ 23,7 bilhões em julho, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano passado.
Do lado dos fundos locais, porém, a recuperação ainda é limitada. Os fundos de ações têm R$ 677 bilhões sob gestão em julho, mas seguem com saída líquida de R$ 6,3 bilhões no acumulado de 2026.
A renda fixa continua liderando a captação. Os fundos da categoria somam entrada líquida de R$ 148,4 bilhões no ano e têm R$ 4,76 trilhões sob gestão.
Os fundos multimercados também continuam pressionados, com resgate líquido de R$ 11,7 bilhões em 2026. A indústria tem R$ 1,55 trilhão em patrimônio, abaixo do pico recente.
Outro dado que chama atenção é a participação dos investidores estrangeiros no volume negociado. Em 2026, eles respondem por 45,01% do giro da Bolsa, enquanto os institucionais locais ficam com 31,47% e as pessoas físicas, com 19,00%.
O relatório também mostra que a alocação de estrangeiros em Brasil segue em níveis baixos. Em maio, os fundos globais de mercados emergentes tinham 5,76% alocados em ações brasileiras, abaixo dos 7,59% registrados em março.
No mercado de IPOs, a fotografia segue dura. Entre as empresas que abriram capital desde 2021, Orizon (ORVR3) e Caixa Seguridade (CXSE3) aparecem entre os melhores desempenhos, com altas de 232% e 130%, respectivamente. Na outra ponta, Grupo Toky (TOKY3), Westwing (WEST3), Viveo (VVEO3), Dotz (DOTZ3), Oncoclínicas (ONCO3) e Raízen (RAIZ4) acumulam quedas próximas ou superiores a 96%.
Para a Bolsa brasileira, o retrato do BTG mostra uma melhora no fluxo estrangeiro e no volume negociado, mas ainda sem uma virada clara do investidor local para ações, enquanto a renda fixa continua concentrando a maior parte do dinheiro novo.
