O Bank of America (BofA) adotou uma postura mais cautelosa com o mercado brasileiro e reduziu a recomendação para ações do país de overweight, superior à média do mercado, para marketweight, equivalente a uma posição neutra.
A mudança foi divulgada em relatório da equipe de estratégia para a América Latina liderada por David Beker. Segundo o banco, a decisão reflete um cenário mais desafiador para os juros no Brasil, em um cenário de taxa Selic elevada, e perspectivas menos favoráveis para os lucros das empresas nos próximos trimestres.
Apesar da revisão, o BofA não abandonou a bolsa brasileira. A instituição ressaltou que continua identificando oportunidades específicas, principalmente em companhias consideradas mais resistentes a um ambiente de crédito mais apertado e de juros elevados.
Por que o BofA reduziu a recomendação para o Brasil?
O principal fator por trás da mudança foi a revisão das expectativas para a política monetária brasileira. A equipe econômica do banco passou a projetar a taxa Selic em 14,25% ao final de 2026, acima da estimativa anterior de 13,25%.
Na avaliação dos estrategistas, o cenário aponta para apenas mais um corte de juros no curto prazo, seguido por um período prolongado de estabilidade. O banco também destaca que os riscos para a inflação permanecem elevados em meio à desvalorização do real, enquanto a proximidade das eleições tende a aumentar a volatilidade dos mercados.
Diante desse quadro, o BofA decidiu reduzir o peso do Brasil dentro de sua carteira latino-americana, ao mesmo tempo em que elevou a exposição a mercados como Chile e Colômbia. O banco também manteve recomendação overweight para a Argentina e posição neutra para o México.
Entre as alterações na carteira, a Equatorial (EQTL3) substituiu a Copel (CPLE3) no segmento de utilities. Segundo os estrategistas, a companhia oferece valuation mais atrativo e maior flexibilidade para alocação de capital.
O banco também retirou Sabesp (SBSP3), Ecorodovias (ECOR3) e Ânima (ANIM3) da seleção. No caso da Sabesp, a justificativa foi a ausência de catalisadores de curto prazo. Já Ecorodovias e Ânima foram consideradas menos atrativas em um ambiente de juros elevados por mais tempo.
Mesmo com a visão mais conservadora para o mercado brasileiro, o BofA afirmou continuar enxergando oportunidades seletivas, com preferência por bancos preparados para um cenário de crédito mais desafiador e empresas que apresentem menor risco para os lucros em um contexto de Selic elevada.
