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Banco do Brasil (BBAS3) salta 26%, mas mercado ainda vê “longo caminho” para recuperação

Banco do Brasil

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As ações do Banco do Brasil (BBAS3) recuperaram parte das perdas recentes e acumulam alta de aproximadamente 26% desde o fechamento de 13 de agosto, quando o mercado reagiu negativamente ao balanço do segundo trimestre. Apesar da valorização, analistas continuam cautelosos com a inadimplência, as provisões e a velocidade de recuperação dos resultados.

Na sessão posterior ao balanço, BBAS3 fechou cotada a R$ 18,23. Em 21 de setembro, o papel era negociado a R$ 23,03, segundo o Status Invest. Somente no mês, a valorização chegava a 8,39%, enquanto a alta acumulada em 12 meses era de 9,01%.

A recuperação reflete uma combinação de preço descontado, melhora parcial do lucro, expectativa de redução da Selic e movimentações relacionadas à eleição presidencial. Mesmo assim, casas como XP, BTG Pactual, Itaú BBA, JPMorgan, Goldman Sachs e Bradesco BBI ainda veem obstáculos para uma mudança mais consistente na percepção sobre o banco.

Eleição influencia as ações do Banco do Brasil

Como o Banco do Brasil é controlado pela União, suas ações costumam reagir com maior intensidade às mudanças nas expectativas eleitorais. O mercado acompanha possíveis impactos sobre a gestão, as políticas de crédito, a governança e a distribuição de dividendos da instituição.

A pesquisa BTG/Nexus divulgada em 21 de setembro mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 37% de Flávio Bolsonaro (PL). Em uma eventual disputa no segundo turno, o resultado foi de 46% a 45%, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

A aproximação entre os candidatos alimenta apostas sobre uma possível mudança na orientação econômica do governo. Parte dos investidores associa uma eventual vitória da oposição a uma política fiscal mais conservadora e a uma menor interferência nas estatais. Essa leitura, porém, pode mudar rapidamente conforme novas pesquisas sejam divulgadas.

O cenário eleitoral, portanto, ajuda a explicar parte da valorização recente, mas também aumenta a volatilidade de BBAS3. A recuperação das ações não depende apenas da política. O desempenho operacional e a qualidade da carteira de crédito continuam sendo os principais pontos acompanhados pelas casas de análise.

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Lucro melhorou, mas recuperação ainda é considerada frágil

O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado cresceu 3,3% em relação ao mesmo período de 2025 e 13,9% na comparação com os três primeiros meses deste ano.

A margem financeira bruta alcançou R$ 27,5 bilhões, com alta anual de 9,6%, impulsionada principalmente pelas receitas das operações de crédito destinadas às pessoas físicas. A carteira ampliada atingiu R$ 1,31 trilhão, avanço de 1,4% em 12 meses.

O banco manteve a projeção de lucro líquido ajustado entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões em 2026. Apesar disso, analistas avaliam que o lucro trimestral foi favorecido por fatores que não garantem uma melhora estrutural.

O Bradesco BBI afirmou que ainda não identificou uma estabilização clara na qualidade dos ativos. O Itaú BBA destacou o longo caminho para a recuperação da rentabilidade, enquanto JPMorgan e Goldman Sachs apontaram os riscos relacionados ao crédito e ao capital como obstáculos para uma valorização mais consistente.

Inadimplência do agro continua no centro das preocupações

O principal ponto de cautela permanece na carteira de crédito. A inadimplência acima de 90 dias do Banco do Brasil atingiu 5,61% no segundo trimestre, ante 3,95% no mesmo período de 2025.

No agronegócio, o indicador alcançou 6,27%, maior nível da série histórica iniciada em 2014. As operações rurais com mais de 90 dias de atraso somavam aproximadamente R$ 26,4 bilhões.

A recuperação depende, em parte, da renegociação das dívidas dos produtores. O Banco do Brasil estima que até R$ 100 bilhões em operações do agronegócio podem ser enquadrados na Medida Provisória 1.376, sendo R$ 36,7 bilhões em créditos inadimplentes e R$ 63,5 bilhões em dívidas adimplentes que já passaram por renegociação ou prorrogação.

O BTG Pactual, entretanto, alertou que entraves regulatórios, operacionais e orçamentários têm atrasado a implementação das renegociações. Para os analistas do banco, a lentidão deve postergar a recuperação da qualidade da carteira rural.

Problemas de crédito avançam além do agronegócio

A cautela também ocorre porque a deterioração deixou de ficar concentrada no campo. A inadimplência da carteira de pessoas físicas alcançou 8,4%, ante 5,59% um ano antes.

No cartão de crédito, os atrasos superiores a 90 dias chegaram a 14,6%. O Banco do Brasil atribuiu parte dessa piora aos clientes das classes D e E e afirmou esperar uma normalização dos indicadores no segundo semestre.

A XP já havia alertado que a pressão não estava mais restrita ao agronegócio. Segundo a casa, os indicadores iniciais de inadimplência entre pessoas físicas aumentaram quase 0,9 ponto percentual em um trimestre e 2 pontos percentuais em 12 meses.

Outro fator acompanhado pelo mercado é o índice de cobertura, que mostra quanto das operações inadimplentes está protegido por provisões. O indicador caiu de 183,2% para 148,5% em um ano, reduzindo a margem disponível para absorver eventuais perdas adicionais.

Provisões podem continuar pressionando BBAS3

O custo de crédito atingiu R$ 18,5 bilhões no segundo trimestre, alta de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025. No primeiro semestre, a despesa acumulada chegou a R$ 37,3 bilhões, avanço anual de 43,3%.

O guidance do banco prevê um custo de crédito entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões em 2026. O Itaú BBA, porém, estima que as provisões podem alcançar R$ 73,6 bilhões, ultrapassando o limite superior da projeção.

A casa também reduziu sua estimativa de lucro líquido anual de R$ 21,2 bilhões para R$ 18,4 bilhões. A previsão para o retorno sobre o patrimônio, ou ROE, caiu de 10,6% para 9,3%.

Os juros elevados ajudam as receitas de tesouraria e a margem financeira, mas o Itaú BBA avalia que esse efeito pode ser mais do que compensado pelo aumento das provisões. Para uma recuperação mais sustentável das ações do Banco do Brasil, o mercado aguarda sinais mais claros de estabilização da inadimplência, redução do custo de crédito e melhora da rentabilidade.

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