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Dívida bruta do governo geral fica em 77,6% do PIB em julho

Dívida cresce mais rápido que o PIB

Dívida cresce mais rápido que o PIB. Foto: iStock

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que considera o endividamento do governo federal, dos Estados e dos municípios, mas não inclui o Banco Central nem as estatais, aumentou em julho e chegou a 77,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Em junho, esse percentual estava em 76,6%. Em termos nominais, a dívida passou de R$ 9,389 trilhões para R$ 9,555 trilhões no período. Pelo critério do Fundo Monetário Internacional (FMI), a proporção da dívida sobre o PIB ficou estável em 89,9%, mesmo nível observado em junho. O Banco Central começou a divulgar essa metodologia somente neste ano.

O comportamento da dívida segue sendo acompanhado de perto porque é um dos principais indicadores usados pelas agências de classificação de risco para avaliar a capacidade de solvência do Brasil. Quanto mais elevado o endividamento, maior a percepção de risco de calote e, consequentemente, maior o custo de financiamento para o País. A trajetória histórica mostra a dimensão do desafio: no melhor momento, em dezembro de 2013, a DBGG representava 51,5% do PIB, enquanto o maior nível da série foi registrado em dezembro de 2020, quando alcançou 87,6% em função das medidas adotadas no início da pandemia de covid-19.

O avanço observado em julho reflete diferentes fatores. O pagamento de juros contribuiu para um aumento de 0,8 ponto percentual na relação dívida-PIB, as emissões líquidas de títulos acrescentaram 0,4 ponto, e a desvalorização do câmbio teve impacto de 0,1 ponto. Na direção contrária, a variação do PIB nominal reduziu a proporção em 0,4 ponto percentual. Considerando o acumulado do ano, o aumento de 1,1 ponto percentual na DBGG está associado principalmente ao efeito dos juros, que adicionaram 5,1 pontos, enquanto a expansão do PIB nominal ajudou a conter esse avanço, retirando 3,6 pontos, e a valorização cambial contribuiu com queda adicional de 0,4 ponto.

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que desconta as reservas internacionais do País, também cresceu no mês, passando de 62,9% do PIB em junho para 63,7% em julho. Em valores absolutos, o estoque atingiu R$ 7,851 trilhões.

Os gastos com juros da dívida pública ganharam destaque em julho. O setor público consolidado desembolsou R$ 109 bilhões, bem acima dos R$ 80,1 bilhões registrados no mesmo mês de 2024. Esse aumento de quase R$ 29 bilhões está relacionado tanto ao crescimento do estoque da dívida quanto à elevação da taxa Selic no período. Em 12 meses, as despesas com juros somaram R$ 941,2 bilhões, o equivalente a 7,64% do PIB, ante R$ 869,8 bilhões acumulados até julho do ano passado.

O Banco Central enfatiza que o crescimento da dívida e o encarecimento dos juros reforçam a urgência de ajustes fiscais. Como a relação dívida-PIB brasileira está acima da média de economias emergentes, o fato de a dívida crescer em ritmo superior ao da atividade econômica tende a aumentar a desconfiança dos investidores e encarecer o crédito, impondo mais dificuldades à gestão das contas públicas.

Com Estadão Conteúdo

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