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Copom muda o tom e liga alerta: inflação foge da meta e juros devem travar por mais tempo

Copom. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Copom. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A ata do Copom trouxe um recado mais duro ao mercado do que o comunicado da última decisão, reforçando preocupações com inflação pressionada e sinalizando que os juros devem permanecer elevados por mais tempo no Brasil.

Mesmo após cortar a Selic para 14,50% ao ano, o Banco Central indicou que o cenário se tornou mais desafiador, especialmente após o avanço dos preços do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio, que reacenderam riscos inflacionários.

Na leitura da estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, o documento reforça um ambiente de cautela. “Ao mesmo tempo em que manteve o ciclo de calibração, a ata trouxe um tom mais duro, com preocupações adicionais sobre inflação e expectativas”, afirma.

Inflação fora da meta e expectativas desancoradas entram no radar

O principal ponto de atenção da ata foi o comportamento da inflação e, sobretudo, das expectativas.

O Banco Central reconhece que os índices recentes voltaram a subir e se afastaram da meta, com projeções ainda elevadas para os próximos anos. As estimativas do próprio BC indicam inflação de 4,6% em 2026 e 3,5% em 2027, acima do centro da meta.

Além disso, o Copom destacou que as expectativas seguem acima da meta “em todos os horizontes”, evidenciando um processo de desancoragem mais persistente — um dos fatores mais sensíveis para a condução da política monetária.

Esse movimento ganhou força com o choque recente no petróleo, ligado ao conflito no Irã, que elevou os preços e adicionou pressão ao cenário. “A principal conclusão foi de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo”, destaca a ata.

Juros altos por mais tempo entra no cenário base

Apesar dos sinais de desaceleração da atividade econômica, o Banco Central deixou claro que o processo de cortes deve ser conduzido com cautela.

A ata reforça que a política monetária segue em território contracionista e que os próximos passos dependerão da evolução do cenário, especialmente diante de um ambiente global mais incerto e volátil.

O documento também menciona riscos adicionais vindos do exterior, como tensões geopolíticas e oscilações de commodities, que podem impactar países emergentes como o Brasil.

Na prática, o recado é que o ciclo de queda de juros não foi interrompido, mas pode ser mais lento e condicionado a dados, com a manutenção de uma política restritiva por um período prolongado.

“O tom foi mais duro do que o comunicado, reforçando a necessidade de manter uma política monetária restritiva por mais tempo”, resume Paula Zogbi sobre a ata do Copom.

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