Entender a inflação é fundamental para os investidores, uma vez que ela tem um impacto direto no poder de compra e nos retornos reais dos investimentos. Essencialmente, a inflação reflete o aumento generalizado dos preços, o que diminui o valor do dinheiro ao longo do tempo.
Quando a inflação é alta, os rendimentos de investimentos podem ser corroídos, resultando em retornos reais negativos.
Além disso, a inflação influencia diretamente a política monetária e o manejo das taxas de juros, que afetam o custo do crédito e as oportunidades de investimento.
Portanto, compreender a dinâmica inflacionária permite aos investidores tomar decisões mais assertivas sobre onde alocar seus recursos para proteger seu patrimônio e buscar rentabilidade real.
O Brasil viveu um período de volatilidade nos preços nos últimos anos. Após um cenário desafiador entre 2020 e 2022, com a inflação superando os 12%, o ano de 2023 trouxe uma acomodação importante.
Contudo, a partir do segundo semestre de 2024, a inflação voltou a acelerar, pressionada por fatores como o crescimento econômico aquecido, a desvalorização cambial e questões climáticas.
Esse cenário levou o Banco Central a retomar o ciclo de alta de juros, fazendo com que o IPCA encerrasse 2024 em 4,8%, acima do teto da meta. O ano de 2025, por sua vez, foi marcado por um processo de desinflação, embora ainda com o índice em patamares elevados, em 4,26% A persistência inflacionária, especialmente no setor de serviços, e a desancoragem das expectativas mantiveram a autoridade monetária em estado de alerta.
Para 2026, as expectativas apontam para uma continuidade do alívio nos preços, mas o cenário ainda exige cautela. Segundo especialistas da Suno Research, a projeção é de um IPCA de 4,1% para o ano, indicando uma trajetória mais benigna, mas ainda acima do centro da meta.
“A nossa leitura é de continuidade do processo de desinflação iniciado em 2025, mas com a inflação ainda acima do centro da meta. No cenário-base, projetamos IPCA de 4,1% em 2026, com trajetória mais benigna ao longo do ano graças à moderação da atividade, melhora gradual das expectativas e alívio de pressões em bens e alimentos”, diz a casa.
Essa melhora esperada é sustentada por alguns fatores-chave:
- Moderação da Atividade Econômica: Uma atividade mais contida, com o hiato do produto em território negativo, deve reduzir a pressão de demanda sobre os preços.
- Alívio em Bens e Alimentos: Espera-se que os preços de bens industriais e alimentos contribuam para a desinflação, apoiados por custos de produção mais comportados e uma oferta agrícola mais favorável.
- Estabilidade Cambial: Um ambiente externo com o dólar mais fraco e um diferencial de juros ainda elevado no primeiro semestre devem contribuir para um câmbio mais estável, reduzindo a pressão sobre os preços de importados.
Pontos de Atenção e Riscos no Radar
Apesar do otimismo moderado, alguns fatores podem pressionar a inflação e exigem monitoramento constante. A Suno Research destaca que o setor de serviços continua sendo o ponto mais sensível, pois sua dinâmica depende de um mercado de trabalho que, embora em desaceleração, segue resiliente.
Outros riscos incluem:
- Expectativas Desancoradas: As projeções de inflação do mercado para os próximos anos ainda se encontram acima da meta, o que representa um desafio para o Banco Central.
- Ano Eleitoral: Estímulos fiscais, comuns em anos de eleição, podem reaquecer a demanda e gerar ruído nas expectativas, além de uma possível desvalorização cambial no segundo semestre devido ao aumento das incertezas.
- Choques Inesperados: Reajustes de combustíveis e eventos climáticos adversos (que afetam energia e alimentos) são riscos sempre presentes.
Política Monetária: Haverá Espaço para Cortes na Selic?
Com a inflação dando sinais de arrefecimento, a grande questão para os investidores é o futuro da taxa Selic. A avaliação da Suno Research é de que haverá espaço para cortes de juros em 2026, mas de forma cautelosa e gradual.
O Banco Central tende a condicionar o início da flexibilização a três fatores: expectativas de inflação mais bem ancoradas, um hiato do produto negativo e uma desaceleração consistente dos núcleos de inflação.
“A nossa avaliação é que haverá espaço para cortes, mas de forma cautelosa e gradual. No nosso cenário-base, o Copom prepara o terreno em janeiro e inicia cortes em março (0,50 p.p.), com trajetória técnica e orientada pelos dados”, diz a casa.
Mesmo com a queda projetada, uma inflação de 4,1% ainda corrói o poder de compra. Por isso, é fundamental que o investidor adote estratégias para proteger seu patrimônio.
Para 2026, a alocação em títulos Tesouro IPCA+ (NTN-Bs) segue como a recomendação principal. Esses ativos oferecem uma rentabilidade composta por uma taxa de juros real mais a variação da inflação, garantindo a preservação do poder de compra.
Segundo a Suno Research, “a preferência é pela alocação em IPCA+. Estes ativos seguem como um pilar essencial na preservação do poder de compra das carteiras, especialmente em um ambiente que se torna mais incerto com a aproximação do ano eleitoral”.
Mesmo com a queda recente, as NTN-Bs continuam oferecendo juros reais elevados, entre 7% e 8% ao ano, o que reforça o valor estratégico dessa classe de ativos.
Outras opções incluem:
- Fundos Imobiliários (FIIs): Muitos FIIs possuem contratos de aluguel reajustados por índices de inflação, repassando essa correção para os dividendos.
- Ações de Setores Resilientes: Empresas com poder de repasse de custos, como as do setor elétrico (cujos contratos são corrigidos pela inflação) e líderes de mercado, tendem a se sair bem em cenários inflacionários.
O Erro a Evitar ao Investir em 2026
Ao tentar se proteger da inflação, muitos investidores podem ser atraídos pelas altas taxas dos títulos prefixados. No entanto, a Suno Research alerta que este pode ser o principal erro em 2026.
“O principal erro é apostar excessivamente em títulos prefixados acreditando que o prêmio atual é suficiente, ignorando que a inflação persistente e expectativas desancoradas aumentam a sensibilidade desses ativos. Diferente do IPCA+, o prefixado não protege contra surpresas inflacionárias”
Embora as taxas dos prefixados pareçam atrativas, o prêmio pode ser insuficiente para cobrir a inflação e a volatilidade dos juros, especialmente em um ambiente de incerteza fiscal e política.
O cenário para a inflação em 2026 é de uma melhora gradual, mas os riscos persistem, exigindo uma postura atenta dos investidores. A expectativa de início dos cortes na taxa Selic pode abrir novas oportunidades, mas a proteção do patrimônio deve continuar sendo a prioridade.
Nesse contexto, os títulos atrelados ao IPCA se destacam como a ferramenta mais eficiente para garantir rentabilidade real e navegar com mais segurança em um ano que promete ser dinâmico e influenciado pelo ciclo eleitoral.
E então, conseguiu compreender melhor o contexto econômico que envolve a inflação em 2026? Deixe suas dúvidas e comentários sobre esse assunto.
O que é inflação e como ela é calculada?
A inflação é um indicador que mostra o aumento dos preços. No Brasil, existem diversos indicadores que servem para analisar o aumento dos preços, contudo, o IPCA é o principal. Para chegar ao IPCA de cada mês, o IBGE faz o levantamento referente ao custo médio das famílias brasileiras que recebem desde 1 salário mínimo, até 40. Nesse sentido, o IPCA é um indicador bem abrangente.
Qual é a causa da inflação?
A inflação pode ser causada por diversos fatores, como aumento na demanda por produtos e serviços, custos de produção mais altos, políticas monetárias que aumentam a oferta de dinheiro, e choques de oferta como interrupções no fornecimento.
O que fazer para reduzir a inflação?
Para reduzir a inflação, bancos centrais podem aumentar as taxas de juros para reduzir o consumo e o investimento, governos podem cortar gastos para diminuir a demanda agregada, e políticas para aumentar a oferta podem ser implementadas para lidar com choques de oferta.
Exemplo de inflação
Inflação é o processo pelo qual ocorre um aumento persistente no nível geral dos preços. Um exemplo é quando o preço do pão aumenta de R$ 5,00 para R$ 5,50 de um ano para o outro, mantendo-se a mesma qualidade e tamanho.
Quais são os principais impactos da inflação nos investimentos?
A inflação normalmente é utilizada para encontrar o ganho real sobre determinado investimento. Desse modo, quando a inflação está elevada, há uma expectativa que os ganhos relacionados ao investimento, precisam ser tão elevados quanto, para que haja o ganho real. Contudo, às vezes isso não ocorre. Por isso, ao investir, é muito importante ficar atento à inflação. Vale destacar que a inflação também pode impactar de outras formas os investimentos. Dependendo do cenário, os juros poderão subir, ou cair, devido à inflação. Ou seja, a renda fixa pode se tornar mais atraente, ou não. Impactando indiretamente o mercado de renda variável.
Como posso proteger meus investimentos da inflação?
Investimentos de renda fixa atrelados ao IPCA podem ser uma ótima opção. Na renda variável, o investimento em empresas que conseguem repassar a alta dos preços, com facilidade, também é uma opção. Como é o caso das companhias de energia elétrica. Fundos imobiliários de papel, que possuem carteiras predominantemente investidas em CRIs atrelados ao IPCA, também podem gerar ótimos resultados, quando a inflação está elevada.
O que é o IPCA e qual sua importância no controle da inflação?
O IPCA é o principal indicador inflacionário do Brasil. Sendo que ele é utilizado como parâmetro para as políticas monetárias do Banco Central. Por exemplo, atualmente a meta do Banco Central para a inflação medida pelo IPCA, é de 3% com uma banda de 1,5% para cima e para baixo (ou seja, no nível mais baixo: 1,5% e no nível mais alto, 4,5%).