A Xiaomi encerrou o segundo trimestre com um retrato dividido. De um lado, os negócios mais tradicionais sentiram o peso de custos maiores e demanda mais fraca. Do outro, a frente mais nova da companhia, a de veículos elétricos, continuou crescendo em ritmo forte. No consolidado, porém, o resultado perdeu força.
A companhia informou lucro líquido de 9,46 bilhões de yuans, ou US$ 1,40 bilhão, queda de 20,5% na comparação anual. A receita recuou 6,1%, para 108,92 bilhões de yuans.
Mesmo com a queda, o lucro ficou acima das expectativas. Analistas consultados pela Visible Alpha projetavam 6,01 bilhões de yuans. Já a receita veio praticamente em linha com o consenso de 109,82 bilhões de yuans.
Smartphones sentem custo maior de memória
O negócio de smartphones, uma das principais fontes de receita da Xiaomi, foi um dos maiores pontos de pressão no trimestre.
A receita da divisão caiu 7,5%, para 42,1 bilhões de yuans, refletindo a redução dos embarques. A alta no preço médio dos aparelhos ajudou a amortecer parte do impacto, mas não foi suficiente para evitar a queda.
A margem bruta do segmento recuou para 8,5%, ante 11,5% um ano antes. Segundo a companhia, o movimento refletiu principalmente o encarecimento de componentes-chave, com destaque para os chips de memória.
A pressão sobre custos acontece ao mesmo tempo em que o mercado chinês de eletrônicos enfrenta demanda mais fraca e redução de estímulos ao consumo.
IoT também perde força
O segmento de internet das coisas e produtos de estilo de vida também apresentou deterioração.
As vendas caíram 19%, para 31,3 bilhões de yuans, pressionadas principalmente pelo desempenho no mercado doméstico após a redução de subsídios nacionais ao consumidor.
A divisão inclui produtos como máquinas de lavar, aspiradores e outros eletrodomésticos. A margem bruta recuou para 20,1%, ante 22,5% no mesmo período do ano anterior.
Já os serviços de internet tiveram comportamento mais estável. A receita caiu apenas 0,6%, para 9 bilhões de yuans, enquanto a margem bruta avançou de 75,4% para 76,8%.
Carros elétricos vão na contramão
Se smartphones e eletrodomésticos perderam força, o negócio de veículos elétricos seguiu avançando.
A receita da divisão cresceu 16%, para 23,9 bilhões de yuans, sustentada pelo aumento das entregas, mesmo com preços médios menores.
O preço médio dos veículos elétricos da Xiaomi caiu 9,6%, para 229.312 yuans, principalmente por causa da menor participação do modelo SU7 Ultra no mix de vendas.
A expansão da receita mostra que o negócio continua ganhando escala, mas ainda existe incerteza sobre a capacidade de transformar o avanço das vendas em rentabilidade sustentável.
No consolidado, a pressão sobre as principais divisões apareceu diretamente na rentabilidade.A margem bruta da Xiaomi ficou em 19,8% no segundo trimestre, abaixo dos 22,5% registrados um ano antes.
Com Estadão Conteúdo
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