A Taxa Selic caiu, mas a renda fixa ainda está longe de perder o brilho. Com os juros básicos em 14% ao ano, deixar o dinheiro em aplicações pós-fixadas continua oferecendo retornos elevados — e a velha poupança permanece vários passos atrás de CDBs e do Tesouro Selic.
O corte de 0,25 ponto percentual anunciado pelo Copom nesta quarta-feira (5) reduziu um pouco a remuneração dos investimentos ligados aos juros. Ainda assim, as taxas nominais e reais seguem em patamares altos, mantendo o chamado “carrego” como importante fonte de retorno para o investidor, especialmente nos produtos pós-fixados.
Antes da comparação, vale uma distinção: não é possível investir diretamente na Selic. A taxa é uma referência para aplicações como o Tesouro Selic e influencia o CDI, indexador usado pela maioria dos CDBs.
Quanto rendem R$ 10 mil com a Selic a 14%?
Uma simulação da XP Research considera R$ 10 mil aplicados durante um ano e a Selic mantida em 14% ao longo de todo o período. Nesse cenário, os valores líquidos seriam:
- CDB que paga 100% do CDI: R$ 11.141,90;
- Tesouro Selic 2031: R$ 11.133,79;
- LCI ou LCA a 85% do CDI: R$ 11.176,46;
- Poupança: R$ 10.702,96.
Os valores do Tesouro Selic e do CDB já consideram o desconto do Imposto de Renda. A simulação também inclui a taxa de custódia da B3 para o título público e considera uma Taxa Referencial média de 0,1% ao mês para a poupança.
Outro cálculo, realizado pelo planejador financeiro Jeff Patzlaff, chegou a conclusão semelhante. Com R$ 10 mil aplicados por 12 meses, um CDB a 100% do CDI acumularia aproximadamente R$ 11.146,75 líquidos, enquanto a poupança terminaria o período com R$ 10.839,21. A diferença seria superior a R$ 300.
As simulações usam metodologias e premissas diferentes, o que explica a variação nos valores atribuídos à poupança. Em ambas, porém, CDB e Tesouro Selic superam a caderneta.
Por que o CDB rende mais que a poupança?
Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança remunera o investidor pela regra de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial. Isso limita sua capacidade de acompanhar integralmente os juros elevados.
Já um CDB pós-fixado costuma entregar um percentual do CDI, taxa que normalmente caminha muito próxima da Selic. Com os juros básicos em 14%, o CDI usado na simulação do Money Times ficou em aproximadamente 13,9% ao ano.
O CDB tem incidência de Imposto de Renda pela tabela regressiva, mas, mesmo após a tributação, um título que paga 100% do CDI tende a superar a poupança no cenário atual.
O investidor deve observar, contudo, que nem todo CDB oferece a mesma condição. Há papéis que pagam menos de 100% do CDI e outros que oferecem taxas maiores, geralmente em troca de prazo mais longo, menor liquidez ou maior risco do emissor.
CDB ou Tesouro Selic?
O rendimento dos dois produtos costuma ficar bastante próximo quando o CDB paga 100% do CDI. A escolha, portanto, passa por fatores que vão além da taxa.
O Tesouro Selic é um título público federal, tem liquidez diária e costuma ser utilizado para reserva de emergência e recursos de curto prazo. O CDB é emitido por bancos e pode ter liquidez diária ou permitir o resgate somente no vencimento.
CDBs elegíveis contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos, respeitado o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, além do teto global previsto pelo fundo.
No Tesouro Direto, não há cobertura do FGC. O risco está ligado ao governo federal, responsável pela emissão do título.
Ainda vale ficar na renda fixa?
A redução da Selic diminui gradualmente o retorno das aplicações pós-fixadas, mas uma taxa de 14% continua suficientemente elevada para manter a renda fixa no centro das carteiras.
A XP avalia que os pós-fixados ainda se beneficiam do nível dos juros, enquanto os títulos ligados ao IPCA oferecem taxas reais atrativas para horizontes mais longos. Nos prefixados, as taxas também permanecem historicamente elevadas, mas exigem mais atenção ao prazo e às oscilações antes do vencimento.
O Safra também mantém a renda fixa como principal classe de suas alocações para agosto. Ela representa 100% da carteira ultraconservadora, 76% da conservadora, 53% da moderada e ainda 35% da estratégia dinâmica do banco. A casa cita os juros domésticos elevados, a volatilidade internacional e as incertezas eleitorais como razões para preservar uma posição defensiva.
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Com a Taxa Selic em 14%, a poupança continua oferecendo simplicidade, isenção tributária e liquidez, mas entrega um retorno menor. Para quem busca preservar liquidez, CDBs próximos de 100% do CDI e Tesouro Selic permanecem mais competitivos, desde que a escolha considere prazo, tributação, risco do emissor e a finalidade do dinheiro.
