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Senior Living pode virar a próxima fronteira do investimento imobiliário? Veja o que está em jogo

Projetos de Senior Living ganham espaço como nova tese de investimento imobiliário no Brasil.

Projetos de Senior Living ganham espaço como nova tese de investimento imobiliário no Brasil. Foto: Pixabay

O Brasil está envelhecendo — e rápido. Segundo o IBGE, a população com 60 anos ou mais deve praticamente dobrar até 2040, ultrapassando 30% da população nas décadas seguintes. Em um país onde o investimento imobiliário sempre ocupou espaço relevante na construção de patrimônio, o avanço do sênior living começa a chamar atenção como uma tese estrutural de longo prazo, menos dependente de ciclo econômico e mais ancorada em demografia.

O conceito, já consolidado em mercados como Estados Unidos e Europa, combina moradia de alto padrão com serviços integrados de saúde, hotelaria e convivência. No Brasil, o modelo ainda é embrionário, mas começa a ganhar escala e pode representar uma nova classe de ativo imobiliário com características operacionais próprias.

Demografia, renda recorrente e barreiras de entrada

O envelhecimento populacional é um vetor inevitável. Dados do IBGE indicam que o número de idosos no Brasil deve dobrar nas próximas duas décadas, enquanto a base jovem tende a encolher. Para o investidor, isso significa uma demanda estrutural crescente por soluções de moradia voltadas à longevidade.

Diferentemente do residencial tradicional ou dos studios voltados ao público jovem — segmento que já apresenta sinais de saturação em grandes centros — o sênior living atende uma população crescente, com maior poder aquisitivo e foco em qualidade de vida.

O modelo também apresenta barreiras de entrada relevantes. A estrutura envolve regras da Anvisa, normas de segurança do Corpo de Bombeiros, exigências municipais e, principalmente, operação especializada. Não se trata de hospital, nem de hotel — é uma combinação dos dois, com camada adicional de serviços médicos e acompanhamento psicológico.

Essa complexidade reduz a competição imediata e pode sustentar margens mais elevadas quando bem executada.

O caso da ABF e a parceria com a Unimed

Uma das empresas que vêm apostando nesse modelo é a ABF Developments, incorporadora familiar com três décadas de atuação no Sul do país. A companhia desenvolveu empreendimentos de sênior living de alto padrão em Porto Alegre, com taxas de ocupação acima de 80% e mensalidades que variam entre R$ 16 mil e R$ 18 mil por residente.

O modelo envolve venda pulverizada de unidades para investidores, que adquirem a matrícula e passam a participar de uma SPE responsável pelo empreendimento. A operação de saúde é feita por parceiros especializados. Em um dos projetos mais recentes, a operadora é o sistema Unimed-RS, que cobre 100% dos 497 municípios do Rio Grande do Sul.

Segundo o CEO da ABF, Eduardo Fonseca, o projeto também tem uma dimensão estratégica além da rentabilidade. “Nós entendemos que esse é um projeto de legado. Não é apenas um empreendimento imobiliário, é uma nova forma de morar na terceira idade, com qualidade, dignidade e estrutura médica adequada”, afirmou.

Os primeiros empreendimentos foram vendidos a investidores pulverizados, que adquirem unidades vinculadas a uma estrutura societária do projeto. Um dos ativos já entregues apresenta ocupação acima de 80%, com cerca de 114 unidades, e ticket mensal entre R$ 16 mil e R$ 18 mil por residente, segundo a companhia.

Para o investidor, a tese está no longo prazo. Como destaca o executivo, o ciclo imobiliário entre aquisição de terreno, aprovação, construção e início da operação pode levar até cinco anos. Isso significa que os projetos lançados hoje estão olhando para a demanda de 2030 em diante. A empresa já estuda expansão para São Paulo e Florianópolis, onde vê potencial proporcionalmente maior de mercado.

Pode ser um bom ativo para a carteira?

Para o investidor que tradicionalmente utiliza o imóvel como proteção patrimonial e gerador de renda, o sênior living pode representar uma evolução dessa lógica. O fluxo de caixa está atrelado à ocupação e à operação, não apenas à valorização do metro quadrado.

Como a demanda é sustentada por um vetor demográfico de longo prazo, o segmento tende a apresentar menor dependência de ciclos de crédito ou consumo. Em termos de carteira, pode funcionar como exposição temática à longevidade — uma tendência global — com potencial de geração recorrente.

Ainda é um mercado em formação no Brasil. Mas, para quem busca diversificação imobiliária com tese estrutural clara, o sênior living começa a deixar de ser apenas tendência e passa a se consolidar como oportunidade de investimento.

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