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Rede D’Or (RDOR3) pode subir 75%? BTG eleva preço-alvo após 2T26 forte

EcoRodovias (ECOR3) cai forte após balanço e Citi vê números abaixo do esperado

Foto: Suno/Banco

A Rede D’Or (RDOR3) saiu do segundo trimestre de 2026 com um resultado que fez o BTG Pactual aumentar a aposta na companhia. Depois de números acima do esperado, o banco elevou suas estimativas de lucro para 2027, revisou o preço-alvo das ações para R$ 58 e manteve recomendação de compra, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 75% frente aos R$ 33,09 usados como referência no relatório.

Para o BTG, o trimestre reforçou a resiliência do modelo de negócios da Rede D’Or. A combinação de margens melhores nos hospitais e desempenho acima do esperado da SulAmérica levou o banco a revisar em 3% sua projeção de lucro para 2027. O preço-alvo anterior era de R$ 54 para o fim de 2026.

O balanço do segundo trimestre foi divulgado pela Rede D’Or em 12 de agosto, conforme o calendário oficial de Relações com Investidores da companhia.

Hospitais entregam mais margem mesmo com ocupação menor

Uma das principais surpresas veio da operação hospitalar.

Mesmo com uma taxa de ocupação menor na comparação anual, as margens dos hospitais avançaram 1,4 ponto percentual, em base pro forma. Segundo o BTG, esse movimento refletiu ganhos de eficiência em áreas como compras, processos, sistemas e tecnologia.

O banco, porém, evita projetar para os próximos trimestres toda a força observada no 2T26. A avaliação é de que o primeiro semestre oferece uma referência mais adequada para a tendência do negócio, período em que as margens avançaram cerca de 0,8 ponto percentual.

Para 2026, o BTG estima expansão próxima de 0,9 ponto percentual na margem hospitalar, acompanhada por crescimento do Ebitda da divisão em ritmo de dois dígitos baixos a médios.

A expansão física também continua. A companhia adicionou 245 leitos operacionais no acumulado do ano até o segundo trimestre, e o banco projeta outros 217 leitos até dezembro, levando o total de novas unidades para 462 em 2026.

SulAmérica vira principal motivo para revisão das projeções

Embora os hospitais tenham apresentado um trimestre forte, foi a SulAmérica que mais aumentou a confiança dos analistas.

A sinistralidade, indicador que mostra quanto das receitas de um plano de saúde é consumido pelo pagamento de despesas médicas, melhorou 3,2 pontos percentuais em um ano. O resultado ficou acima das expectativas do BTG e passou a ser o principal responsável pela revisão das projeções de lucro.

Segundo o relatório, essa melhora não veio de uma única medida. A companhia vem trabalhando desde 2023 em uma combinação de seleção mais rigorosa de riscos, coparticipação, combate a fraudes, coordenação do cuidado, negociação com prestadores e captura de sinergias com a própria Rede D’Or.

O banco agora espera que o Ebitda da SulAmérica cresça 40% em 2026, enquanto a sinistralidade deve recuar cerca de 2,7 pontos percentuais no ano.

BTG vê RDOR3 barata para o crescimento esperado

A leitura positiva não se limita ao trimestre recém-divulgado. O BTG projeta para a Rede D’Or receita de R$ 70,3 bilhões em 2026, com Ebitda de R$ 13,73 bilhões e lucro líquido de R$ 5,11 bilhões. Para 2027, as estimativas sobem para R$ 78,03 bilhões de receita, R$ 16,18 bilhões de Ebitda e R$ 6,10 bilhões de lucro.

Ao mesmo tempo, a ação passou por uma desvalorização recente junto com o mercado brasileiro. Para o banco, isso criou uma diferença maior entre o preço atual e o potencial de geração de resultados da companhia.

RDOR3 negocia, segundo os cálculos do BTG, a cerca de 14,5 vezes o lucro estimado para 2026 e 12 vezes para 2027. Considerando os dois períodos, o múltiplo fica próximo de 13,5 vezes, cerca de 25% abaixo da média histórica.

É justamente essa combinação entre crescimento esperado e desconto na avaliação que leva o banco a manter a Rede D’Or como sua principal escolha no setor de saúde.

Ainda há riscos para a tese

A leitura positiva não elimina pontos de atenção. O BTG alerta que o terceiro trimestre enfrentará uma base de comparação mais exigente, o que torna menos provável a repetição imediata da expansão de margem observada entre abril e junho.

Além disso, alguns hospitais tiveram volumes menores após a interrupção de contratos com planos de saúde de autogestão. A administração, porém, indicou que esses contratos tinham menor atratividade econômica e espera recuperar a rentabilidade mesmo sem recompor integralmente os volumes perdidos.

O banco também cita entre os riscos a concentração de receitas em clientes relevantes, dificuldades na maturação de novos hospitais, competição por aquisições e impactos tributários.

Ainda assim, depois do 2T26 da Rede D’Or, o BTG considera que os resultados reforçaram a capacidade da companhia de crescer com rentabilidade. Com preço-alvo de R$ 58, recomendação de compra e projeções maiores para 2027, RDOR3 permanece como a principal escolha do banco entre as empresas brasileiras de saúde.

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