As ações da Prio (PRIO3) podem disparar em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, impulsionadas pelo avanço do petróleo no mercado internacional. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (2), o BTG Pactual afirma que a companhia é sua principal escolha no setor de Óleo & Gás em um cenário de Brent mais alto.
Para os analistas do BTG, o atual cenário geopolítico é diferente dos episódios anteriores. Segundo a instituição financeira, a restrição logística, especialmente no Estreito de Ormuz, é a principal preocupação envolvendo o petróleo neste momento.
“A questão central não é perda de barris, mas restrição à mobilidade dos barris”, destacam os analistas.
A região é responsável por cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito. Após os ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no fim de semana, seguidos por retaliações iranianas envolvendo países do Golfo, o risco na região aumentou, o que fez com que o fluxo de embarcações na região diminuísse.
Com isso, a casa projeta o petróleo Brent negociando entre US$ 75 e US$ 80 por barril neste cenário, podendo superar esse patamar em caso de nova escalada. “Esperamos o Brent negociando na faixa de US$75–80/bbl diante do conflito, já que um prêmio geopolítico relevante já foi incorporado aos preços”, dizem os analistas.
Em meio a este contexto, as petroleiras brasileiras tendem a se beneficiar, com destaque para as ações PRIO3.
Por que a PRIO (PRIO3) é a petrolífera que mais deve se beneficiar da alta do petróleo?
Para o BTG, a Prio é a empresa mais alavancada a um cenário de petróleo em alta. Isso porque a empresa é o “nome menos hedgeado” da cobertura da casa e possui 100% da produção concentrada em petróleo, sem exposição relevante a gás natural ou atividades de refino.
Na prática, ser menos hedgeada significa que a companhia utiliza menos contratos futuros ou estruturas de proteção para travar o preço do barril. Isso aumenta a volatilidade dos resultados em momentos de queda da commodity, mas também permite capturar de forma mais integral o ganho quando o Brent sobe.
“Apesar das discussões recentes envolvendo fretes e descontos ao Brent, a PRIO é nossa exposição preferida aos preços do petróleo, dado que é a companhia mais exposta à commodity, com 100% da produção em petróleo (isto é, 0% gás natural ou derivados)”, reforça o relatório.
Segundo as estimativas do BTG, desconsiderando hedges, um cenário de Brent a US$ 80 por barril poderia levar o yield de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) da Prio a 27% em 2026, acima dos cerca de 23% estimados para a Brava (BRAV3) e 13% para a Petrobras (PETR4) no mesmo ambiente de preços.
Dessa forma, em um cenário de tensão prolongada no Oriente Médio e manutenção do prêmio geopolítico no petróleo, a PRIO (PRIO3) pode ser a empresa brasileira mais sensível, e potencialmente mais beneficiada, pela alta da commodity.
