A Nvidia (NVDC34) apresentou na noite de ontem (25) resultados sólidos referentes ao último trimestre de 2025. No entanto, os números não foram suficientes para sustentar uma visão bem humorada dos investidores em relação aos papéis.
Por volta das 15h, as ações da companhia negociadas na NASDAQ, nos Estados Unidos, sob o ticker NVDA, estão recuando 5,06%, a US$ 185,72. No mesmo horário, os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) da empresa na bolsa brasileira, com o código NVDC34, derretem 5,24%, a R$ 19,89.
A forte variação negativa dos papéis acontece mesmo após a Nvidia apresentar uma receita recorde de US$ 68,1 bilhões no quarto trimestre, alta de 20% em relação aos três meses anteriores. Na comparação anual, houve alta de 73%.
Já no ano fiscal, a receita acumulada foi de US$ 215,9 bilhões. O número indica um avanço de 65% frente ao ano anterior.
Já as margens brutas GAAP, que representam a receita após deduzir custos diretos de produção, ficaram em 75% no trimestre. O lucro por ação com base GAAP foi de US$ 1,76.
Outro destaque dos números divulgados na noite de ontem foi a projeção de receita para o primeiro trimestre de 2025, de US$ 78 bilhões, com margem de erro de 2%. O número ficou acima das projeções compiladas pela LSEG, que apontavam para US$ 72,60 bilhões.
Por que as ações da Nvidia (NVDC34) estão caindo?
Apesar do conjunto robusto de números, os analistas avaliam que o mercado segue dividido quanto ao fôlego de longo prazo da companhia, em meio a uma série de preocupações sobre o setor de tecnologia. Em relatório divulgado após o balanço, o Itaú BBA classificou os resultados como bons no curto prazo, mas ponderou que ainda existem dúvidas sobre o futuro da companhia.
“Bons resultados e um guidance robusto para o próximo trimestre foram equilibrados por questionamentos persistentes sobre o teto de crescimento de longo prazo”, diz a casa.
Na visão da casa, receita e margens vieram amplamente em linha com o guidance, enquanto a projeção para o próximo trimestre, que indica aceleração, reforça a solidez operacional. Ainda assim, a ausência de uma atualização quantitativa mais clara sobre a meta de US$ 500 bilhões em vendas de Blackwell e Rubin no ciclo 2025-26 limitou o entusiasmo.
Outro ponto de atenção envolve riscos estruturais. O relatório menciona preocupações com a sustentabilidade das margens brutas ao longo do tempo, a concorrência com chips customizados desenvolvidos por grandes clientes, além das incertezas em relação às vendas para a China.
Por fim, o Itaú BBA, que classifica as ações como market perform (recomendação equivalente à neutra), apontou ainda algumas questões financeiras que podem preocupar os investidores. A Nvidia (NVDC34) ampliou garantias e compromissos ligados à infraestrutura de data centers, incluindo US$ 3,5 bilhões em garantias a parceiros para projetos de terrenos, energia e estrutura física. Além disso, o nível de estoques segue elevado, em 105 dias.
