O BTG Pactual divulgou nesta terça-feira (7) um novo relatório sobre a MRV (MRVE3), avaliando os dados operacionais do primeiro trimestre de 2026.
Embora a construtora tenha apresentado números sólidos de vendas e lançamentos, a queima de caixa no Brasil frustrou as expectativas do banco, que alerta para uma provável reação negativa do mercado no curto prazo.
Apesar do alerta, os analistas do BTG mantiveram a recomendação de compra para os papéis da companhia, com preço-alvo de R$ 12,00 para os próximos 12 meses, o que representa um potencial de valorização de cerca de 51% em relação ao preço de tela (R$ 7,94).
Segundo o relatório, a tese de investimento se sustenta no valuation atrativo (negociando a 6 vezes o preço/lucro estimado para 2026) e no momento positivo para o segmento de habitação de baixa renda, impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).
No entanto, o banco reconhece que a normalização dos resultados da MRV está “levando mais tempo do que o esperado”.
O peso do fluxo de caixa da MRV
O principal ponto de atenção do trimestre foi o Fluxo de Caixa Livre (FCF) das operações brasileiras. A MRV reportou uma queima de caixa de R$ 21 milhões, frustrando a projeção do BTG, que aguardava uma geração positiva de R$ 100 milhões.
A construtora justificou que o FCF, especialmente nas operações do MCMV, foi impactado pela sazonalidade do primeiro trimestre.
As vendas ficaram muito concentradas no mês de março, o que resultou em um volume menor de repasses de clientes para os bancos dentro do período.
No detalhe das operações no Brasil, o segmento de baixa renda até conseguiu gerar R$ 22 milhões em caixa, mas o resultado consolidado foi puxado para baixo pela queima de R$ 29 milhões da Urba e R$ 15 milhões da Luggo.
Se o Brasil pressionou o caixa, a subsidiária norte-americana da MRV trouxe boas notícias. A Resia reportou uma geração de caixa de US$ 59 milhões no trimestre.
O número foi impulsionado pela venda do projeto Tributary (por US$ 73 milhões) e de dois terrenos (por US$ 18 milhões). Além disso, a Resia apresentou melhorias relevantes na pré-locação de seus projetos remanescentes, conforme mencionou a MRV.
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