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JBS (JBSS3) perde fôlego no frango, mas BTG mantém compra e vê 40% de potencial

JBS (JBSS32)

JBS (JBSS32). Foto: Divulgação/JBS

JBSS3 entrou em 2026 sob uma nova dinâmica de ciclo. Em relatório divulgado em 12 de fevereiro, o BTG Pactual avaliou os resultados do 4T25 da Pilgrim’s Pride (PPC), subsidiária listada da JBS, e concluiu que a “gravidade” voltou a atuar sobre as margens do setor de frango. Ainda assim, o banco reiterou recomendação de compra para a companhia, com preço-alvo de R$ 110, o que implica potencial de valorização de 30,3% e retorno total estimado de 40,9% incluindo dividendos.

Segundo o BTG, o EBITDA ajustado da PPC no quarto trimestre somou US$ 413 milhões, 13% abaixo da estimativa da casa, com margem de 9,1%. O lucro líquido foi de US$ 88 milhões, ou US$ 162 milhões ajustado. O desvio veio principalmente das operações nos Estados Unidos e no México, enquanto a Europa manteve rentabilidade mais forte.

Margens em queda e ciclo pressionando

O relatório destaca que a margem EBITDA nos EUA caiu de 16,8% no 3T25 para 10,6% no 4T25, já ajustada pelos efeitos de litígios. O movimento acompanhou a queda de 36% nos spreads domésticos de aves no país na comparação trimestral.

“O 4T foi um bom lembrete de que, no fim, as margens tendem a convergir para a indústria”, afirmam os analistas. Eles acrescentam que, apesar de momentos de resiliência por conta do mix de produtos, “à medida que a oferta continua a expandir, a compressão de margens pode ainda não ter terminado”.

No México, a situação foi ainda mais desafiadora: a margem caiu 540 pontos-base na comparação anual, com recuo de 71% no EBITDA. Segundo a própria companhia, o desempenho foi impactado por “aumento das importações e fundamentos desequilibrados no mercado de aves vivas”.

O BTG ressalta que a produção de carne de frango nos EUA cresceu 3,4% em 2025, o maior avanço desde 2022, o que contribuiu para normalizar spreads que haviam atingido níveis historicamente elevados.

JBSS3 segue como “core buy”

Apesar do enfraquecimento do ciclo no frango, o BTG reforça que não vê o setor avícola como a melhor exposição no momento. “Em um setor em que os preços das ações historicamente responderam às oscilações de margem, não vemos o segmento de aves como o lugar para estar”, diz o relatório.

Ainda assim, a avaliação sobre a JBS permanece construtiva. O banco classifica a empresa como um “core Buy”, destacando a diversificação geográfica e de proteínas como diferencial para estabilizar margens consolidadas e sustentar geração de caixa.

Para 2025, o BTG projeta receita de R$ 478,1 bilhões e EBITDA de R$ 37,7 bilhões, com margem de 7,9%. O lucro líquido ajustado estimado é de R$ 11,1 bilhões. Já para 2026, a expectativa é de EBITDA de R$ 31,6 bilhões e lucro ajustado de R$ 7,5 bilhões, refletindo o momento mais fraco do ciclo.

O banco estima ainda dividend yield de 10,6% e retorno total potencial de 40,9%. No relatório, os analistas concluem que JBSS3 “não é mais o alpha play indiscutível que já foi, mas sim uma boa alternativa relativa dentro do setor”.

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