O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial do país, avançou 0,44% em março, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (26) pelo IBGE. O resultado representa uma desaceleração de 0,40 ponto percentual em relação a fevereiro, quando o índice havia subido 0,84%.
No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 passou a registrar alta de 3,90%, abaixo dos 4,10% observados anteriormente. Já no acumulado do ano, o índice soma 1,49%, mesmo patamar do IPCA-E, indicador trimestral que também desacelerou frente ao mesmo período de 2025 .
O dado indica uma inflação ainda pressionada, mas com sinais de perda de força na margem após a forte alta registrada no mês anterior.
Alimentação lidera pressão e puxa inflação
Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados registraram alta em março. O principal destaque foi Alimentação e bebidas, que avançou 0,88% e respondeu pelo maior impacto no índice, com contribuição de 0,19 ponto percentual .
A alimentação no domicílio acelerou de forma relevante, saindo de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março, puxada por altas expressivas em itens como açaí, feijão-carioca, ovo de galinha, leite longa vida e carnes.
Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter o avanço dos preços, como café moído e frutas, que registraram queda no período. Já a alimentação fora do domicílio desacelerou na margem, embora continue pressionando o índice.
Despesas pessoais e serviços seguem no radar
O grupo Despesas pessoais avançou 0,82%, sendo o segundo maior impacto no mês, influenciado principalmente pelos aumentos em serviços bancários e empregado doméstico .
Já Saúde e cuidados pessoais subiu 0,36%, com destaque para os reajustes em planos de saúde e itens de higiene pessoal, reforçando a pressão dos serviços sobre a inflação.
Habitação acelera com energia elétrica
O grupo Habitação acelerou de 0,06% em fevereiro para 0,24% em março, refletindo principalmente os reajustes na energia elétrica residencial, que subiu 0,29% no mês.
Apesar disso, a manutenção da bandeira tarifária verde ajudou a conter pressões adicionais sobre a conta de luz. Outros itens, como água e esgoto, também contribuíram para o resultado, diante de reajustes em algumas capitais.
Transportes desaceleram, mas seguem pressionando
O grupo Transportes registrou alta de 0,21%, desacelerando frente ao mês anterior. O principal destaque foi a alta de 5,94% nas passagens aéreas, que representaram o maior impacto individual do índice no mês .
Por outro lado, os combustíveis recuaram 0,03%, com quedas no gás veicular, etanol e gasolina, ajudando a limitar a pressão inflacionária do grupo.
Diferenças regionais marcam o IPCA no mês
Regionalmente, dez das onze áreas pesquisadas tiveram alta em março. A maior variação foi observada em Recife (0,82%), influenciada principalmente pelas altas do tomate e da gasolina.
Já o menor resultado ocorreu em Curitiba, que registrou queda de 0,06%, puxada por recuos em itens como emplacamento e licença, frutas e gasolina. As diferenças regionais ajudam a explicar a dispersão do IPCA-15 no mês e mostram como fatores locais seguem influenciando o comportamento do IPCA ao longo de 2026.
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