O Ibovespa engatou a terceira alta seguida e voltou a níveis do início de março nesta quarta-feira (25), embalado por uma leitura mais construtiva sobre o conflito no Oriente Médio. Com o mercado começando a precificar um possível cessar-fogo, o índice avançou 1,60%, aos 185.424,28 pontos, no maior nível desde o começo do mês.
Ao longo do dia, o movimento foi consistente: após partir da mínima na abertura, o índice ganhou tração e chegou a bater 186.401 pontos na máxima, refletindo um apetite por risco mais evidente.
Na semana, o avanço já soma 5,22%, enquanto a perda de março diminui para 1,78%. No ano, o ganho sobe para 15,08%.
Ibovespa (IBOV) reage a sinais de trégua — mas incerteza segue
O pano de fundo da alta foi a percepção de que o conflito pode estar mais próximo de uma pausa.
Relatos indicam avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, enquanto movimentos recentes de Israel reforçam a ideia de uma possível reta final do conflito. Ainda assim, o cenário está longe de resolvido.
A leitura do mercado, neste momento, é de transição: sai o medo mais agudo, entra uma expectativa — ainda frágil — de estabilização.
Como resume Bruna Medeiros, da Manchester Investimentos: “Há uma perspectiva de cessar-fogo que resultou em redução dos preços do petróleo. Mas tudo pode mudar se o Irã não quiser avançar nas negociações.”
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) sustentam avanço
Com a melhora do humor global, as blue chips voltaram a puxar o índice.
- Petrobras (PETR3; PETR4) subiu, mesmo com o petróleo em queda ao longo do dia
- Vale (VALE3) avançou 1,86%, acompanhando o minério
O setor financeiro também contribuiu, mostrando recuperação após semanas de pressão:
- Bradesco (BBDC4) liderou ganhos no segmento
- Santander (SANB11) e outros bancos fecharam no positivo
Na ponta do índice:
- MRV (MRVE3) +7,49%
- Brava (BRAV3) +6,05%
- Hapvida (HAPV3) +4,69%
Poucos papéis fecharam em queda, reforçando o tom mais positivo da sessão.
- Maiores Altas
- Maiores Baixas
Petróleo, dólar e juros aliviam pressão
O ambiente externo também ajudou.
O petróleo perdeu força com a expectativa de descompressão no conflito:
- Brent caiu para cerca de US$ 97
- WTI recuou para perto de US$ 90
No câmbio, o dólar voltou a ceder:
- Dólar caiu 0,67%, para R$ 5,22
Já os juros, tanto nos EUA quanto no Brasil, também recuaram — movimento que costuma beneficiar a bolsa.
Bolsas dos EUA hoje
O tom positivo foi global:
- Dow Jones subiu 0,66%, aos 39.685 pontos
- S&P 500 avançou 0,54%, aos 5.265 pontos
- Nasdaq ganhou 0,77%, aos 16.512 pontos
Mercado ainda testa os limites da recuperação
Apesar do rali, o mercado segue operando com cautela.
Declarações mais duras vindas do Irã mostram que o caminho para um acordo ainda é incerto — e que a volatilidade pode continuar sendo protagonista.
Para Alison Correia, da Dom Investimentos, o cenário é de equilíbrio delicado:
“Trump tem interesse em encerrar o conflito, mas há um dilema: encerrar agora pode ser visto como fraqueza se ainda houver riscos na região.”
Ou seja, o mercado começou a apostar em um desfecho mais positivo — mas ainda sem convicção.
Nesse contexto, o Ibovespa avança com mais força, sustentado por fluxo e commodities, mas segue dependente de um fator central: a confirmação de que a guerra realmente está perto do fim.
Com Estadão Conteúdo
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