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Ibovespa explode a 192 mil e renova recorde histórico com trégua; veja o que está por trás da alta

Ibovespa. Foto: Unsplash

Ibovespa. Foto: Unsplash

 O Ibovespa engatou uma sequência forte de ganhos e renovou máximas históricas nesta quarta-feira, 8, impulsionado pela trégua de duas semanas entre Estados Unidos e Irã. O índice chegou a 193.759,01 pontos no intradia e encerrou aos 192.201,16 pontos, em alta de 2,09%, no maior nível de fechamento já registrado.

O movimento marcou o sétimo avanço consecutivo e levou o índice a acumular alta de 2,21% na semana e 2,53% em abril, ampliando o ganho no ano para expressivos 19,29%. O giro financeiro foi robusto, de R$ 41,8 bilhões, indicando forte participação de investidores institucionais.

Trégua global vira chave do Ibovespa e derruba petróleo

A disparada do Ibovespa veio na esteira de uma reprecificação global dos ativos, após a sinalização de distensão no Oriente Médio. O principal vetor foi o petróleo, que devolveu parte relevante dos ganhos recentes.

O Brent caiu 13,3% e o WTI recuou 16,4%, ambos para a faixa de US$ 94 por barril — maiores quedas desde a pandemia. A correção ocorreu após semanas de forte alta, quando a commodity chegou a superar US$ 110 com o agravamento do conflito.

Esse movimento teve efeito direto sobre expectativas de inflação global e juros, abrindo espaço para queda nas taxas e retomada do apetite por risco.

Na B3, a alta foi generalizada. Vale avançou 2,27%, enquanto os bancos lideraram os ganhos, com Bradesco subindo até 5%. Já Petrobras caiu mais de 4%, refletindo o impacto direto da queda do petróleo sobre o setor.

Entre os destaques positivos, empresas mais sensíveis a juros e ciclo doméstico ganharam força, como construtoras e varejo, beneficiadas pela perspectiva de condições financeiras mais favoráveis.

Cotação do dólar hoje

O dólar caiu 1,01% frente ao real, encerrando o dia a R$ 5,1029, acompanhando o movimento global de enfraquecimento da moeda americana.

A redução do risco geopolítico diminuiu a demanda por ativos defensivos, pressionando o índice do dólar (DXY) e favorecendo moedas emergentes. Ao mesmo tempo, a queda do petróleo ajudou a aliviar preocupações inflacionárias, reforçando o movimento de descompressão.

Nos Estados Unidos, o ambiente foi amplamente positivo:

Fluxo estrangeiro e juros ampliam o rali

O movimento também foi sustentado pela continuidade do fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira, mesmo em um ambiente recente de maior volatilidade.

Segundo Eduardo Carlier, o cenário ainda favorece os ativos locais:

“Em um cenário de arrefecimento das tensões geopolíticas, vislumbramos espaço relevante para descompressão dos ativos locais.”

Ele destaca que a composição do mercado brasileiro — com peso relevante de commodities — ajudou o país a se destacar frente a outros emergentes ao longo do período recente.

Além disso, a queda da curva de juros, tanto no Brasil quanto no exterior, reforçou o movimento de valorização de ativos de risco, especialmente aqueles mais sensíveis ao custo de capital.

Ibovespa recorde ainda convive com incerteza geopolítica

Apesar do forte rali, o cenário ainda está longe de ser resolvido. Ruídos sobre o cumprimento da trégua e divergências entre EUA e Irã mostram que a volatilidade pode retornar rapidamente.

Para Nicolas Gass, o conflito pode mudar de dinâmica, mas não desaparecer: “Cada vez mais a tendência é que os EUA saiam desse risco de guerra e que se torne mais um conflito local entre Israel e Irã.”

A ata do Federal Reserve também reforçou que os impactos econômicos do conflito seguem incertos, mantendo o mercado atento aos próximos desdobramentos.

Com isso, o Ibovespa entra em território de recorde apoiado por alívio externo, fluxo e queda de juros, mas ainda sob a condição central que domina o mercado hoje: a sustentação — ou não — da trégua no Oriente Médio, que seguirá sendo determinante para os próximos movimentos do Ibovespa.

Com Estadão Conteúdo

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