O Ibovespa recuou nesta sexta-feira (27), pressionado pela piora das bolsas em Nova York ao longo da tarde, mas ainda assim conseguiu encerrar a semana no positivo após interromper uma sequência de quatro quedas consecutivas.
O índice fechou o dia em baixa de 0,64%, aos 181.556,76 pontos, depois de oscilar entre a máxima de 183 mil pontos e a mínima próxima de 181 mil. Na semana, porém, acumulou alta de 3,03%, em um movimento de recuperação após semanas marcadas pela escalada da guerra no Oriente Médio.
No mês, o índice ainda cai 3,83%, enquanto no ano sobe 12,68%.
Ibovespa (IBOV): petróleo sustenta energia, bancos voltam a cair
A sessão voltou a escancarar o padrão recente da bolsa brasileira: enquanto empresas ligadas ao petróleo sobem, o restante do mercado segue pressionado.
Na ponta positiva:
- Petrobras (PETR3; PETR4) avançou, acompanhando o Brent acima de US$ 100
- Vale teve leve alta
- Outras petroleiras, como Prio e PetroReconcavo, também subiram
Já entre as quedas, destaque para setores mais sensíveis a juros:
- Banco do Brasil (-1,73%)
- BTG Pactual (-3,03%)
- Braskem (-10,84%)
- Cyrela e MRV também recuaram
O movimento reflete o impacto combinado de juros mais altos e incerteza global, que pesa especialmente sobre bancos e empresas domésticas.
Guerra domina o cenário e ofusca os dados econômicos
Mais uma vez, o principal fator por trás do mercado não foi a agenda econômica, mas o noticiário geopolítico.
Segundo Fernando Bresciani, o conflito praticamente anulou a leitura macro: “Nesta semana, a guerra dominou completamente o cenário, e os dados macro acabaram ficando em segundo plano. Se o conflito se prolonga, traz impactos relevantes em inflação, atividade e setores; se termina, reorganiza parte do estrago recente.”
O analista destaca ainda que o comportamento da bolsa tem sido bastante direto: “Empresas ligadas ao petróleo sobem, enquanto o restante do mercado sofre. Caso haja acordo, esse movimento tende a se inverter.”
Exterior pesa e petróleo segue no centro das atenções
A piora do Ibovespa ao longo da tarde acompanhou o movimento de Nova York, onde os índices fecharam em queda:
- Dow Jones -1,73%
- S&P 500 -1,67%
- Nasdaq -2,15%
O petróleo continua sendo a principal variável para os mercados. O Brent encerrou a semana em US$ 105,32 por barril, ainda sustentado pelas incertezas sobre oferta global e possíveis interrupções no fluxo pelo Estreito de Ormuz.
Esse cenário mantém elevada a preocupação com inflação global e com a trajetória dos juros, limitando o apetite por risco.
Mercado entra em compasso de espera
Sem avanços concretos nas negociações, o mercado encerra a semana em tom cauteloso, com expectativa concentrada nos próximos desdobramentos do conflito.
Como resume Bresciani: “Se houver avanço em um acordo, os mercados tendem a se reorganizar. Caso contrário, a indefinição deve continuar pressionando juros, câmbio e bolsa.”
Nesse ambiente, o Ibovespa segue altamente dependente do noticiário externo — e a volatilidade deve continuar sendo a principal característica do mercado no curto prazo.
Com Estadão Conteúdo
