O Ibovespa voltou a balançar forte nesta quinta-feira (5). Em mais um pregão dominado pela tensão geopolítica no Oriente Médio, o índice chegou a romper momentaneamente os 180 mil pontos pela primeira vez desde janeiro, mas conseguiu reagir perto do fechamento e terminou o dia em queda de 2,64%, aos 180.463,84 pontos.
A sessão foi marcada por forte volatilidade. O índice saiu de uma abertura próxima da máxima do dia, em 185.366 pontos, e mergulhou até a mínima de 179.895 pontos ao longo do pregão. Apesar da recuperação parcial no fim do dia, o saldo ainda foi negativo.
Com o desempenho desta sessão, o Ibovespa acumula perda de 4,41% na semana e no mês. Se esse resultado se confirmar no fechamento de sexta-feira, será o pior desempenho semanal do índice desde novembro de 2022.
O ambiente de mercado continua dominado pelo risco geopolítico. O petróleo voltou a disparar, refletindo temores sobre o fluxo de energia global após novos episódios envolvendo o Irã e a possibilidade de interrupções no Estreito de Ormuz.
Rubens Cittadin, da Manchester Investimentos, resume o impacto desse cenário:
“O petróleo em alta eleva a perspectiva de inflação no mundo e afeta também as expectativas de corte de juros no Brasil.”
Cotação do dólar hoje
O dólar ganhou força diante da busca global por proteção e fechou em alta de 1,32%, a R$ 5,2870.
Nos Estados Unidos, as bolsas também fecharam em queda:
• Dow Jones: -1,61%
• S&P 500: -0,56%
• Nasdaq: -0,26%
Segundo Bruno Shahini, da Nomad, o mercado passou a incorporar o risco de que um choque geopolítico evolua para um choque macroeconômico, especialmente via inflação e crescimento global.
Maiores altas e baixas
Entre as poucas altas do Ibovespa, Braskem (BRKM5) disparou 16,94%, impulsionada pela valorização do petróleo e pelo avanço de discussões no Congresso sobre benefícios ao setor químico. PetroReconcavo (RECV3) e Prio (PRIO3) também registraram ganhos.
No lado negativo, Localiza (RENT3) liderou as perdas, seguida por Minerva (BEEF3) e CSN (CSNA3). Entre as blue chips, Vale (VALE3) caiu 3,33%, enquanto os grandes bancos recuaram mais de 3%, pressionando o índice.
Petrobras (PETR3; PETR4) mostrou comportamento misto e terminou perto da estabilidade, em um pregão marcado pela expectativa do mercado para o balanço do quarto trimestre da companhia.
Fernando Bresciani, analista do Andbank, observa que o cenário global segue dominado pela cautela. “Com a escalada das tensões no Oriente Médio e o petróleo em alta, muitos investidores preferem reduzir exposição antes do fim de semana.”
Com a nova queda desta sessão, o Ibovespa reduz o ganho acumulado no ano para cerca de 12%, enquanto o mercado permanece atento aos próximos desdobramentos do conflito — especialmente ao impacto do petróleo sobre inflação, juros e fluxo para ativos emergentes.
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