Depois de ensaiar alguma estabilidade nas últimas sessões, o Ibovespa voltou a azedar nesta quarta-feira (13) e devolveu a marca dos 180 mil pontos. O principal índice da B3 encerrou o pregão aos 177.098,29 pontos, em queda de 1,80%, pressionado por uma combinação indigesta para os investidores: inflação acima do esperado nos Estados Unidos, perspectiva de juros elevados por mais tempo e aumento da cautela no ambiente doméstico.
O movimento foi amplo entre os pesos-pesados da bolsa brasileira, especialmente no setor financeiro, que voltou a funcionar como termômetro do desconforto local. Banco do Brasil (BBAS3) liderou as perdas entre os grandes bancos, com recuo de 2,63%, seguido por Santander (SANB11), que caiu 2,28%, Bradesco (BBDC4), com baixa de 1,73%, e Itaú Unibanco (ITUB4), que perdeu 0,60%.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que a deterioração começou no exterior e ganhou força ao longo da tarde. “Os índices de inflação ao consumidor e ao produtor dos Estados Unidos vieram acima do esperado, reforçando a percepção de que o Federal Reserve deverá manter os juros elevados por mais tempo. Em paralelo, as tensões entre EUA e Irã mantêm o petróleo elevado, reduzindo o apetite por ativos de risco em mercados emergentes e pressionando o real desde a abertura.”
Cotação do dólar hoje
O dólar comercial disparou nesta quarta-feira e voltou a romper a marca psicológica de R$ 5, encerrando o dia em alta de 2,31%, cotado a R$ 5,009. O movimento acompanhou a busca global por proteção e foi intensificado pelo ajuste de posições no mercado brasileiro.
Segundo Shahini, o cenário doméstico também pesou sobre os ativos locais. “Ao longo da tarde, o noticiário político doméstico aprofundou as perdas, ao lançar dúvidas sobre a candidatura do principal nome de oposição. A reação reflete o aumento da incerteza eleitoral.”
Nos Estados Unidos, o fechamento foi misto:
- Dow Jones: -0,21%
- S&P 500: +0,32%
- Nasdaq: +1,04%
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Apesar do tom predominantemente negativo, algumas ações escaparam da correção. Vale (VALE3) foi uma das exceções entre os pesos pesados, avançando 1,26%, enquanto Braskem (BRKM5) ampliou a forte recuperação recente e subiu 2,86%. Hapvida (HAPV3) também ficou entre os destaques positivos, com ganho de 1,92%.
Do lado oposto, Petrobras (PETR4) caiu 2,43%, acompanhando a volatilidade do petróleo e a repercussão sobre combustíveis. Entre os bancos, o tom foi amplamente negativo, ampliando a pressão sobre o índice.
Maiores altas
- Braskem (BRKM5): +2,86%
- Hapvida (HAPV3): +1,92%
- Vale (VALE3): +1,26%
Maiores baixas
- Banco do Brasil (BBAS3): -2,63%
- Petrobras (PETR4): -2,43%
- Santander (SANB11): -2,28%
Mesmo em meio à turbulência, projeções seguem construtivas para a bolsa brasileira no médio prazo. Mas, nesta sessão, ficou claro que o Ibovespa continua reagindo rapidamente quando dólar, juros e percepção de risco resolvem subir juntos.
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