O governo federal deve deliberar nesta quarta-feira (8) sobre a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32). A proposta será apreciada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e integra a implementação da Lei do Combustível do Futuro.
Em entrevista ao Canal Rural, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou esperar a aprovação da medida. Segundo ele, a mudança representa mais um passo na estratégia de transição energética do país e contribui para o fortalecimento da cadeia sucroenergética.
O ministro observou que a expansão da produção de etanol deixou de se apoiar apenas na cana-de-açúcar. O avanço do etanol de milho, com destaque para a região Centro-Oeste, passou a complementar a oferta nacional e a diversificar a base produtiva.
Silveira destacou ainda o efeito indireto sobre o agronegócio com o aumento da disponibilidade de DDG, coproduto destinado à alimentação animal, que também vem ampliando participação nas exportações brasileiras.
De acordo com estimativas do Ministério de Minas e Energia, a adoção do E32 pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina. O impacto esperado é a menor dependência externa e a maior participação dos biocombustíveis na matriz energética.
Avanço do setor reforça fundamentos acompanhados pelo SNFZ11
A discussão dialoga com uma das teses acompanhadas pelo SNFZ11. O Fiagro detém propriedades em Gaúcha do Norte (MT), área inserida em uma das principais fronteiras agrícolas do país e beneficiada pelo sistema de dupla safra, com cultivo de soja seguido pelo milho safrinha.
Nos últimos anos, a ampliação das usinas de etanol de milho em Mato Grosso elevou a demanda pelo cereal da segunda safra, agregando valor à produção regional e fortalecendo a cadeia do agronegócio. Esse movimento é apontado pelo mercado como um vetor estrutural de desenvolvimento para áreas agrícolas no estado.
Caso a elevação da mistura para E32 seja aprovada, a perspectiva é de aumento gradual da demanda doméstica por etanol. Esse cenário tende a alcançar a cadeia do milho e o setor sucroenergético como um todo. Embora não gere efeitos diretos e imediatos sobre o Fiagro, a medida reforça os fundamentos econômicos das regiões onde se situam as propriedades do fundo, sustentados pela expansão da produção agrícola, do processamento de milho e da indústria de biocombustíveis.
Base de investidores do fundo segue em expansão
Além da valorização das cotas, o fundo vem ampliando sua presença entre os investidores. A base superou recentemente a marca de 15 mil cotistas, consolidando a trajetória de crescimento desde o lançamento.
Em abril de 2025, o fundo somava 3.823 investidores. Desde então, a base de cotistas praticamente quadruplicou, com avanço superior a 290% em pouco mais de um ano, refletindo a aceleração do crescimento.
Fiagro mantém distribuição mensal de rendimentos
Em paralelo à expansão da base, o fundo mantém a política de rendimentos mensais. Recentemente, anunciou o pagamento de R$ 0,10 por cota aos investidores posicionados na data-base, valor que correspondeu a um dividend yield mensal de aproximadamente 1,03%, considerando o preço de fechamento das cotas em maio.
A combinação entre captação em andamento, aquisição de novas áreas e políticas de distribuição sustenta a estratégia do fundo. O foco permanece em ativos agrícolas situados em regiões com forte vocação produtiva e potencial de apreciação, alinhado à tese de longo prazo baseada em arrendamento e valorização de imóveis rurais.
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