O Goldman Sachs elevou suas projeções para o petróleo e alertou que o Brent pode chegar a US$ 120 por barril caso os ataques a navios no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho se intensifiquem, segundo relatório divulgado na segunda-feira (7).
No cenário-base revisado, o banco projeta o Brent a US$ 85 e o WTI (West Texas Intermediate) a US$ 80 por barril em dezembro de 2026, uma elevação de US$ 5 em relação às projeções anteriores. Para 2027, as estimativas ficam em US$ 80 e US$ 75, respectivamente.
No quarto trimestre de 2026, o banco estima uma média de US$ 90 por barril para o Brent, contra uma projeção anterior de US$ 80, desde que as saídas de petróleo do Oriente Médio se normalizem até o final de junho.
Cenários para o preço do petróleo
O cenário mais severo, com a cotação do petróleo Brent atingindo até US$ 120, dependeria de a produção média do Golfo Pérsico em 2027 ficar 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis pré-guerra. No cenário-base, essa defasagem é de apenas 0,5 milhão de barris por dia.
No extremo oposto, o banco projeta o Brent recuando para a faixa dos US$ 60 em 2027 caso a produção do Golfo fique igualmente 0,5 milhão de barris por dia abaixo dos níveis anteriores ao conflito, sem escalada adicional.
A revisão é a segunda consecutiva de alta feita pelo Goldman Sachs para 2026 e reflete o acúmulo de riscos geopolíticos que o banco avaliava como subestimados pelo mercado até meados do segundo semestre do ano.
Tensões no Estreito de Ormuz podem intensificar cenário
Cerca de 20% do petróleo mundial, entre 17 e 21 milhões de barris por dia, passa pelo Estreito de Ormuz, que tem apenas 3,2 km de largura navegável em cada direção. Qualquer bloqueio interromperia as exportações da Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Irã para mercados da Ásia, Europa e América do Norte.
O Goldman Sachs destacou que, ao contrário do Mar Vermelho, onde existe a alternativa pelo Cabo da Boa Esperança, não há rota substituta viável para o volume escoado pelo Estreito de Ormuz. O oleoduto Abu Dhabi Crude Oil Pipeline (ADCOP), dos Emirados Árabes Unidos, tem capacidade de 1,5 milhão de barris por dia, mas cobre menos de 10% do volume diário que passa pelo estreito. O oleoduto IPSA (Iraq-Saudi Arabia Pipeline), com capacidade de 1,65 milhão de barris por dia, está inativo desde 1990.
Os ataques dos houthis no Mar Vermelho já reduziram o trânsito de navios na rota em cerca de 40% em relação aos níveis anteriores ao conflito, iniciado no fim de 2023. O banco avalia que essa disrupção ainda não foi totalmente precificada pelo mercado e que ataques a navios-tanque de petróleo bruto, e não apenas a cargueiros gerais, representariam um choque de oferta mais severo.
O Goldman Sachs também apontou que um ataque de Israel à infraestrutura petroleira iraniana, ou uma resposta iraniana com bloqueio do Estreito de Ormuz, é o risco mais relevante para os preços no curto prazo. O Irã produz cerca de 3,2 milhões de barris por dia e exporta mais de 90% de seu petróleo para a China, em grande parte em violação às sanções ocidentais.
