O Fed, banco central dos Estados Unidos, deve continuar no centro das atenções dos investidores em setembro. As expectativas sobre os próximos passos da instituição estão divididas entre a manutenção ou uma possível alta dos juros, enquanto aumentam as preocupações com a situação fiscal americana e a volatilidade das taxas de longo prazo.
As informações estão no relatório O Mês dos Mercados Globais – Setembro de 2026, produzido pela XP Research. Apesar das incertezas, agosto terminou positivo para os mercados globais. O MSCI ACWI, índice que reúne ações de países desenvolvidos e emergentes, subiu 2,7%. O S&P 500, principal índice da Bolsa de Nova York, também avançou 2,7% e renovou sua máxima histórica.
Inteligência artificial sustenta as bolsas
A alta dos mercados americanos foi apoiada pelo crescimento dos lucros das empresas e pela continuidade dos investimentos em inteligência artificial.
As ações de semicondutores, fabricantes de componentes usados em computadores, celulares e servidores, se recuperaram depois da queda de julho. O movimento beneficiou principalmente as bolsas da Coreia do Sul e de Taiwan, que subiram 15,1% e 11,9%, respectivamente, em agosto.
A Nvidia, uma das principais empresas da cadeia de inteligência artificial, apresentou projeções consideradas fortes pelo mercado. O resultado reforçou a expectativa de que os investimentos em tecnologia ainda podem sustentar o crescimento de diversas companhias.
Na temporada de balanços, o lucro das empresas americanas cresceu 33,4% na comparação anual, desconsiderando efeitos não recorrentes. Foi o maior avanço desde 2021, segundo o relatório.
O desempenho, porém, não foi uniforme. O fundo que acompanha empresas de tecnologia chinesas caiu 9,4% em agosto, enquanto o indicador mais amplo da China recuou 3,1%. O Brasil também ficou entre os mercados negativos, com queda de 1,7%.
Juros longos e situação fiscal preocupam
A política monetária americana será um dos principais pontos de atenção do mês. O mercado estava dividido entre a manutenção ou uma alta dos juros na reunião de setembro. Para o fim de 2026, a expectativa de pelo menos uma elevação era considerada praticamente certa.
Os chamados juros longos, que influenciam financiamentos, empréstimos e o valor de empresas mais dependentes de crédito, também passaram por forte oscilação.
Parte da pressão vem da preocupação com o aumento dos gastos e da dívida dos Estados Unidos. Outro fator é a emissão de títulos por grandes empresas de tecnologia, conhecidas como hyperscalers, para financiar a infraestrutura necessária à expansão da inteligência artificial.
Quando aumenta a oferta de títulos no mercado, os investidores podem exigir uma remuneração maior para comprá-los. Isso eleva os juros e pode reduzir a atratividade de setores como imóveis e serviços públicos.
China e emergentes ganham espaço
A leitura do relatório é neutra para Estados Unidos, Europa e Reino Unido. Na prática, isso significa que os riscos e as oportunidades dessas regiões são vistos como relativamente equilibrados.
A avaliação é mais positiva para a China e para os mercados emergentes. No caso chinês, o destaque está nas empresas ligadas à inteligência artificial, apoiadas por investimentos e incentivos do governo.
Entre os emergentes, o cenário é favorecido por um dólar mais fraco, entrada de capital e queda relativa dos juros. As eleições na América Latina, especialmente no Brasil, também aparecem entre os fatores observados pelos investidores.
O Japão recebeu uma avaliação abaixo da média após a forte valorização recente das ações locais, que reduziu o espaço para novas altas.
Além dos juros, os mercados devem acompanhar as tensões entre Estados Unidos e China na área de tecnologia, a situação fiscal dos países desenvolvidos e a guerra no Oriente Médio, que pode manter o petróleo em níveis elevados.
O Fed começa setembro diante de um dilema: controlar a inflação e preservar a credibilidade da política monetária sem provocar uma desaceleração excessiva da economia e das bolsas.
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