A EVEN3 voltou ao radar do mercado após divulgar seus resultados do quarto trimestre de 2025, que vieram em linha no lucro, mas trouxeram um ponto de atenção relevante: a pressão sobre o caixa. O desempenho reforça um cenário mais desafiador para a companhia, mesmo diante de indicadores operacionais sólidos ao longo do ano.
Segundo a própria Even, o trimestre encerrou com lucro líquido de R$ 45 milhões, dentro do esperado, enquanto a companhia destacou avanços em margens e lançamentos ao longo de 2025. “Encerramos o ano com resultados operacionais e financeiros relevantes, marcados pelo volume recorde de lançamentos de R$ 2,5 bilhões”, afirmou a administração no relatório.
EVEN3: lucro em linha contrasta com pressão no caixa
Na leitura dos analistas Gustavo Cambauva, Gustavo Fabris e Antonio Pascale, do BTG Pactual, o trimestre não trouxe surpresas relevantes em termos de resultado, mas acendeu um sinal de cautela na geração de caixa.
O banco destaca que o lucro líquido ficou em linha com as estimativas, mas a queima de caixa foi superior ao esperado, atingindo cerca de R$ 79 milhões, acima da projeção de R$ 60 milhões.
Esse movimento contrasta com o dado operacional reportado pela companhia, que indicou queima de caixa de R$ 64 milhões no trimestre, em meio a investimentos relevantes em terrenos e expansão do portfólio.
A diferença de leitura reforça a percepção de pressão no curto prazo, especialmente diante do aumento da dívida líquida, que chegou a 23% do patrimônio líquido ao fim do período.
Estratégia operacional e cenário mais desafiador
Do lado operacional, a companhia apresentou números robustos ao longo do ano. As vendas líquidas atingiram R$ 2,0 bilhões em 2025, com crescimento de 46% na comparação anual, enquanto a margem bruta ajustada chegou a 32,2%.
A estratégia segue concentrada em empreendimentos de médio-alto padrão e luxo, com forte presença em São Paulo e foco em projetos diferenciados. “Nosso estoque é bastante jovem, com apenas 9,8% do volume total concluído”, destacou a empresa, ao comentar a qualidade dos ativos e o posicionamento de longo prazo.
Apesar disso, o ambiente macroeconômico segue como um fator de risco. A própria companhia reconhece um cenário mais difícil à frente, afirmando que “o ambiente macroeconômico permanece desafiador”, com juros elevados e incertezas externas impactando o setor.
Na mesma linha, o BTG reforça que esse contexto já começa a afetar a velocidade de vendas, especialmente nos segmentos de maior renda, o que limita uma visão mais construtiva para o curto prazo.
No fim, a leitura combinada entre números operacionais e geração de caixa resume o momento da companhia. Como apontam os analistas do BTG, “o trimestre não trouxe grandes novidades, com lucro em linha com as estimativas e queima de caixa ligeiramente acima do esperado”, em um cenário que mantém a cautela sobre a EVEN3.
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