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Elétricas da Bolsa encaram teste no 2T26; veja quem pode surpreender

Elétricas da Bolsa entram na temporada de balanços do 2T26 com expectativas diferentes para geração, distribuição e transmissão.

Elétricas da Bolsa entram na temporada de balanços do 2T26 com expectativas diferentes para geração, distribuição e transmissão. Foto: Freepik

A temporada de balanços do setor elétrico chega com a tomada dividida. De um lado, distribuidoras e transmissoras devem apresentar crescimento apoiado pelo consumo de energia, pela inflação e pela entrada de novos projetos. Do outro, geradoras renováveis enfrentam cortes de produção, ventos mais fracos e preços menores no mercado de curto prazo.

Nesse cenário, Energisa (ENGI11), Axia Energia (AXIA3) e Copel (CPLE3) aparecem entre as elétricas da Bolsa com maior chance de superar as expectativas no 2T26. Já Auren (AURE3) e Engie Brasil (EGIE3) podem entregar números mais pressionados, segundo prévias do Safra e do Itaú BBA.

A diferença está, principalmente, no segmento em que cada companhia atua. Enquanto as distribuidoras foram beneficiadas pelo aumento da demanda, empresas com maior exposição à geração eólica sofreram com restrições operacionais e uma produção menor.

Elétricas da Bolsa: o que esperar do 2T26?

CompanhiaExpectativa para o 2T26Ebitda projetado pelo Itaú BBAPrincipal fator
Energisa (ENGI11)Acima das expectativasR$ 2,17 bilhões, +11,9%Crescimento da distribuição
Axia Energia (AXIA3)Acima das expectativasR$ 6,40 bilhões, +12,2%Melhora do GSF e modulação
Copel (CPLE3)Acima das expectativasR$ 1,60 bilhão, +19,9%Maior volume faturado
Alupar (ALUP11)Crescimento operacionalR$ 731 milhões, +7,5%Normalização da geração
Auren (AURE3)Mais pressionadaR$ 831 milhões, −15,4%Menor geração eólica

Projeções do Itaú BBA para o segundo trimestre de 2026, compiladas pelo Money Times.

Energisa (ENGI11) aparece como principal destaque

A Energisa (ENGI11) é apontada pelo Safra como a principal surpresa positiva da temporada. O Itaú BBA também espera números acima da visão do mercado, com Ebitda de R$ 2,17 bilhões, crescimento de 11,9% na comparação anual.

O resultado deve ser sustentado pelo aumento da energia distribuída, sobretudo nas concessões de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O segmento de transmissão também deve contribuir já totalmente consolidado.

O ponto de pressão está nas despesas. A Energisa deve gastar mais com manutenção e reforço da rede diante dos possíveis efeitos do El Niño nos próximos trimestres. Mesmo assim, o Itaú BBA projeta melhora da alavancagem financeira e definiu preço-alvo de R$ 76,90.

No Status Invest, ENGI11 aparecia cotada a R$ 49,81 na consulta realizada em 3 de agosto. O último provento registrado na plataforma foi de R$ 0,70 por unit, pago em dezembro de 2025. Esses dados são históricos e não significam que haverá novo pagamento junto ao balanço do 2T26.

Axia Energia (AXIA3) pode superar projeções

A Axia Energia (AXIA3) também entra na temporada com expectativa favorável. O Itaú BBA projeta Ebitda de R$ 6,40 bilhões, alta anual de 12,2%, e avalia que a companhia pode entregar números acima do consenso.

O principal impulso deve vir da melhora do GSF, indicador que compara a geração efetiva das hidrelétricas com a energia comprometida, além de ganhos obtidos com a modulação da produção.

Após concluir parte importante de seu processo de reorganização operacional, a companhia deve apresentar despesas mais próximas da inflação. O preço-alvo informado pelo Itaú BBA é de R$ 50,30.

Apesar disso, o Safra alerta que a queda dos preços da energia no mercado de curto prazo pode pressionar companhias expostas à comercialização. No caso da Axia Energia, ganhos na gestão dos contratos podem compensar parte desse efeito.

A ação AXIA3 era negociada a R$ 52,82 no Status Invest em 3 de agosto. O último dividendo registrado pela plataforma foi de R$ 1,89 por ação, pago em dezembro de 2025.

Copel (CPLE3) ganha força com consumo maior

A Copel (CPLE3) deve apresentar um dos maiores crescimentos de Ebitda entre as companhias analisadas pelo Itaú BBA: alta de 19,9%, para R$ 1,60 bilhão.

A companhia registrou crescimento de 7,2% no volume faturado, beneficiada por temperaturas mais altas e pelo avanço da demanda industrial no Paraná. As perdas de energia e as despesas operacionais devem permanecer relativamente estáveis.

Na geração, a expectativa é de um desempenho próximo ao observado no trimestre anterior. O Itaú BBA estabeleceu preço-alvo de R$ 14,50 para a companhia.

No Status Invest, CPLE3 estava em R$ 14,83 em 3 de agosto. A plataforma registra como último provento o valor de R$ 0,45 por ação, pago em 30 de junho de 2026.

Enquanto a temporada de balanços mostra quais empresas entregaram os melhores resultados, acompanhar as notícias do mercado em tempo real pode ajudar o investidor a entender rapidamente o que muda em cada tese de investimento. Quer receber essas atualizações assim que elas acontecerem? Entre na comunidade gratuita do Status Invest no WhatsApp e acompanhe as principais notícias do mercado financeiro. https://bit.ly/status-invest-noticias

Auren (AURE3) e Engie Brasil (EGIE3) enfrentam mais pressão

Entre as possíveis decepções da temporada estão Auren (AURE3) e Engie Brasil (EGIE3), segundo o Safra. As duas companhias têm exposição relevante à geração renovável, segmento afetado por cortes obrigatórios de produção e ventos mais fracos.

O Safra estima que a restrição média da geração renovável tenha alcançado aproximadamente 19% no 2T26, ante 15% um ano antes. A produção eólica do Sistema Interligado Nacional teria recuado cerca de 39% na comparação anual.

Para a Auren, o Itaú BBA prevê Ebitda de R$ 831 milhões, queda anual de 15,4%. A menor geração eólica deve ser parcialmente compensada pela resiliência dos ativos solares e por uma geração hidrelétrica estável. O preço-alvo informado pela casa é de R$ 14,50.

O Status Invest mostrava AURE3 a R$ 10,98 e EGIE3 a R$ 29,80 na consulta de 3 de agosto. A plataforma registra que o último dividendo da Engie Brasil foi de R$ 0,58 por ação, pago em maio de 2026.

Custos financeiros e dividendos entram no radar

Além dos fatores operacionais, os investidores devem acompanhar o efeito das despesas financeiras. O Itaú BBA espera que a Alupar (ALUP11), por exemplo, apresente alta de 7,5% no Ebitda, para R$ 731 milhões, mas queda de 31% no lucro líquido, pressionado por despesas financeiras maiores e pela participação dos acionistas não controladores.

O ambiente de juros elevados pode reduzir o espaço para crescimento do lucro mesmo quando o resultado operacional melhora, especialmente entre empresas que atravessam ciclos fortes de investimento.

As prévias consultadas não apresentaram valores específicos para novos dividendos referentes ao 2T26. Portanto, não é possível antecipar pagamentos apenas com base nas estimativas de Ebitda. A decisão dependerá do lucro, da geração de caixa, do endividamento, dos investimentos e da política de remuneração de cada companhia.

A temporada começa em 5 de agosto para Axia Energia (AXIA3), Auren (AURE3), Copel (CPLE3) e Engie Brasil (EGIE3). Alupar (ALUP11) e Energisa (ENGI11) divulgam seus resultados no dia seguinte.

Para as elétricas da Bolsa, o 2T26 deve reforçar uma divisão importante: distribuição e transmissão chegam com maior previsibilidade, enquanto a geração renovável segue exposta ao clima, aos cortes de produção e aos preços da energia. Nesse tabuleiro, Energisa, Axia Energia e Copel entram como os nomes com maior potencial de surpresa positiva, enquanto Auren e Engie enfrentam o teste mais difícil.

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