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DIGY11 promete renda mensal ligada ao Bitcoin, mas sem comprar a criptomoeda; entenda

O DIGY11 investirá em ações preferenciais de empresas com reservas de Bitcoin e terá objetivo de distribuições mensais em reais.

O DIGY11 investirá em ações preferenciais de empresas com reservas de Bitcoin e terá objetivo de distribuições mensais em reais.

Receber uma renda mensal associada ao universo do Bitcoin, mas sem colocar a criptomoeda diretamente na carteira. Essa é a proposta do DIGY11, novo ETF que deve estrear na B3 no início de setembro e que investirá em ações preferenciais emitidas por empresas que mantêm grandes reservas de Bitcoin em seus balanços.

O produto foi idealizado pela OranjeBTC, terá gestão da 3R Investimentos e seguirá o MarketVector Bitcoin Treasury Preferred Equity BRL Hedged Index. Na prática, o fundo compra papéis de companhias do ecossistema de Bitcoin que pagam dividendos e transforma essa renda, originalmente em dólar, em distribuições mensais em reais ao cotista.

A diferença mais importante está justamente aí: o DIGY11 não investe diretamente em Bitcoin e não tenta reproduzir a valorização da criptomoeda. A exposição vem das empresas que usam o ativo digital como parte central de sua estratégia financeira.

Como o DIGY11 consegue pagar renda mensal?

Para entender o fundo, primeiro é preciso entender o que ele compra. A carteira inicial será formada por ações preferenciais da Strategy, por meio do papel STRC, e da Strive, pelo SATA. Esses ativos são diferentes das ações ordinárias mais conhecidas. Em vez de dar prioridade ao direito de voto, as preferenciais foram estruturadas para oferecer remuneração recorrente aos investidores.

A alocação inicial prevista é bastante concentrada: cerca de 95% no STRC, da Strategy, e 5% no SATA, da Strive.

A Strategy mantém uma política de dividendos variáveis para o STRC. Registros enviados à SEC mostram que o papel vinha pagando uma taxa anualizada de 11,5% em 2026. A Strive, por sua vez, mantinha uma taxa anual de 13% para o SATA.

É dessa renda que parte a estratégia do ETF. Os dividendos recebidos dos ativos da carteira ajudam a financiar as distribuições periódicas aos cotistas do DIGY11.

A gestora trabalha com uma estimativa ilustrativa de retorno equivalente ao CDI mais 3 a 5 pontos percentuais ao ano, já considerando custos associados à proteção cambial e à estrutura do fundo. Esse número, porém, é uma projeção e não representa garantia de rentabilidade nem de pagamento futuro.

O fundo também terá hedge cambial, mecanismo criado para reduzir o impacto das oscilações do dólar sobre o resultado em reais. Isso importa porque os ativos que formam a carteira são negociados nos Estados Unidos, enquanto o DIGY11 será comprado e vendido em reais na B3.

É igual a comprar um ETF de Bitcoin?

Não. E essa diferença muda bastante o perfil de risco. Um ETF tradicional de Bitcoin busca reproduzir de maneira mais direta as oscilações da própria criptomoeda. Se o Bitcoin sobe ou cai fortemente, o preço das cotas tende a acompanhar esse movimento.

O DIGY11 segue outra lógica. O fundo compra ações preferenciais de empresas ligadas ao Bitcoin. Portanto, seu desempenho dependerá não apenas do comportamento da criptomoeda, mas também da situação financeira das empresas emissoras, da capacidade de continuar pagando dividendos, dos juros e do preço desses papéis no mercado.

Isso significa que o Bitcoin continua importante para a tese. Strategy e Strive mantêm reservas relevantes do ativo, e a própria estrutura dessas companhias está ligada ao ecossistema da criptomoeda. Mas o cotista do DIGY11 não terá BTC diretamente dentro do fundo.

Também não se trata de um produto de renda fixa. Apesar da proposta de distribuições mensais, o DIGY11 é um ETF de renda variável. As cotas podem oscilar e os dividendos das ações preferenciais que compõem o índice podem ser alterados pelas próprias empresas.

A concentração inicial adiciona outro fator de risco. Como a maior parte da carteira deverá estar no STRC, problemas específicos da Strategy ou mudanças na remuneração desse papel podem ter impacto relevante sobre o ETF. Além disso, os Bitcoins e o caixa mantidos pelas empresas emissoras pertencem às próprias companhias e não ficam segregados como garantia dos pagamentos aos cotistas.

A previsão é que o DIGY11 comece a ser negociado na B3 no início de setembro de 2026, embora a data exata de estreia ainda não tenha sido divulgada. As cotas terão liquidez diária, permitindo a compra e venda durante o pregão, assim como ocorre com outros ETFs negociados na Bolsa brasileira.

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