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Cosan (CSAN3): analistas veem alta de 145% com “desmonte” da holding

Cosan (CSAN3). Foto: Divulgação

Cosan (CSAN3). Foto: Divulgação

A Cosan (CSAN3) pode estar entrando em uma nova fase na Bolsa: menos expansão e mais venda de ativos. Segundo relatório do BTG Pactual, a companhia começou a sair de um modelo de holding complexa para uma estrutura mais simples, com foco em monetizar negócios já construídos e reduzir endividamento.

Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla mantiveram recomendação de compra para CSAN3, com preço-alvo de R$ 8 por ação. Considerando o preço de R$ 3,27 usado no relatório, o potencial de valorização estimado é de 144,6%.

A leitura do banco é que a ação ainda negocia com desconto de holding de 29%, mesmo com um caminho mais claro para simplificação da estrutura. Para os analistas, o mercado ainda precifica a complexidade acumulada pela Cosan, mas não totalmente o valor que pode ser destravado com a venda de ativos.

Cosan começa a simplificar estrutura

No relatório, o BTG afirma que a Cosan passou de uma fase de construção de ativos para uma etapa de monetização. A companhia já realizou aumento de capital, reduziu dívida, desfez estruturas consideradas caras, listou a Compass e monetizou parcialmente sua participação na Rumo, mantendo exposição econômica ao ativo.

Ainda assim, o processo não está resolvido. Após o follow-on e o IPO da Compass, a dívida líquida ajustada da holding caiu, mas as despesas financeiras ainda devem ficar acima dos dividendos esperados das subsidiárias em 2026. Com isso, os analistas estimam que a Cosan pode ter queima de caixa de cerca de R$ 1 bilhão neste ano, incluindo despesas da holding e excluindo efeitos não recorrentes.

Para o banco, esse cenário é menos favorável do que o esperado anteriormente, mas segue administrável. A avaliação é que vendas de ativos, redução da dívida e aumento de dividendos das subsidiárias podem melhorar a situação nos próximos anos.

Quais ativos podem ser vendidos?

Segundo o relatório, Radar e Rumo aparecem como os candidatos mais evidentes para monetização no curto prazo. No caso da Radar, a Cosan possui participação em um portfólio de 306 mil hectares de terras agrícolas em oito estados brasileiros.

Os analistas avaliam que a venda das terras pode ajudar a reduzir o peso da dívida, embora esse tipo de ativo tenha baixa liquidez. A estimativa do BTG é que a venda de 70 mil a 80 mil hectares com desconto de cerca de 15% em relação ao valor de avaliação seria suficiente para melhorar o fluxo de caixa da companhia em aproximadamente R$ 500 milhões, resolvendo metade da queima de caixa estimada para este ano.

A Rumo também é vista como candidata natural a uma venda, por ser um ativo líquido e relevante para fortalecer rapidamente a estrutura de capital da holding. Já a Moove deve ficar para uma etapa posterior, provavelmente em 2027, após a normalização do EBITDA e a estabilização operacional depois do incêndio de 2025 na planta da Ilha do Governador.

Desconto ainda pesa na ação

O BTG calcula que a Cosan negocia com desconto de 29% em relação à soma das partes, considerando participações em Rumo, Compass, Moove e Radar, além da dívida líquida e das despesas corporativas.

Na prática, isso significa que o mercado aplica um desconto sobre a holding por causa da complexidade da estrutura, do endividamento e da necessidade de execução nas vendas de ativos. A tese dos analistas é que, se a companhia avançar na simplificação, parte desse desconto pode diminuir.

O novo preço-alvo de R$ 8 por ação considera que a Cosan deve reduzir sua complexidade ao longo do tempo. Na avaliação do banco, o caso de investimento deixou de ser sobre financiar uma nova fase de expansão e passou a ser sobre capturar o valor do que já foi construído.

A Cosan é dona de participações em negócios como Compass, Rumo, Moove e Radar. No relatório, o BTG afirma que poucos grupos brasileiros se reinventaram tantas vezes quanto a companhia, que começou há mais de 80 anos como uma usina de cana-de-açúcar em Piracicaba.

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