Ícone do site Suno Notícias

Construtoras derretem na Bolsa, mas Safra vê oportunidade escondida; entenda

Construtoras ligadas ao Minha Casa Minha Vida seguem no radar do Safra após queda das ações.

Construtoras ligadas ao Minha Casa Minha Vida seguem no radar do Safra após queda das ações - Foto: Pixabay

As construtoras ligadas ao segmento residencial vivem uma contradição na Bolsa: os papéis caíram entre 30% e 35% desde os picos recentes, mas os fundamentos do setor seguem resilientes, segundo análise do Banco Safra. Para a casa, a correção abriu uma assimetria positiva em empresas com maior exposição ao Minha Casa Minha Vida, menor sensibilidade aos juros e histórico mais consistente de execução.

A piora do humor com o setor veio em meio à reprecificação de riscos globais e ao aumento das preocupações com inflação. Ainda assim, o Safra avalia que o programa habitacional continua sendo um pilar de sustentação para as companhias, especialmente pela combinação entre acessibilidade elevada, menor impacto dos juros e espaço para repasse de preços.

Minha Casa Minha Vida segura tese das construtoras

Segundo o Safra, o Minha Casa Minha Vida segue como uma das principais fontes de retorno para o setor. O programa tem menor sensibilidade ao ciclo de juros e ainda apresenta níveis recordes de acessibilidade, o que favorece a demanda mesmo em um ambiente macroeconômico mais difícil.

A análise também destaca que as construtoras contam com mecanismos de proteção contra pressões de custos. Ainda assim, alguns pontos seguem no radar, como o aumento do endividamento das famílias e a leve alta da inadimplência inicial.

Mesmo com esses riscos, os indicadores de crédito continuam saudáveis diante de um mercado endereçável ainda amplo. Por isso, a leitura do Safra é de que o setor exige seletividade, mas não perdeu seus fundamentos.

Direcional é a favorita do Safra

Entre as empresas analisadas, a Direcional (DIRR3) aparece como a principal escolha do Banco Safra. A companhia tem menor exposição a choques inflacionários, apoiada por um mix de receitas mais concentrado em estoques prontos e por economias de custos ainda a capturar.

Com as ações cerca de 30% abaixo dos picos recentes, o Safra projeta para a Direcional um múltiplo preço sobre lucro ajustado de 5,4 vezes para 2027 e dividend yield estimado em 13%, patamares considerados atrativos diante do risco.

A Cury (CURY3) também aparece bem posicionada, apesar de maior exposição a custos. A companhia conta com uma carteira de recebíveis indexada à inflação que cobre cerca de 75% dos custos do backlog, o que ajuda a proteger margens. O Safra projeta múltiplo de 5,8 vezes o lucro ajustado, mesmo em um cenário mais conservador.

Já a Tenda (TEND3) destoou do setor, com alta de 37% no ano, impulsionada por resultados acima do esperado e revisões positivas de lucro. Ainda assim, a ação negocia a 4,7 vezes o lucro projetado para 2027, com desconto frente às principais concorrentes.

MRV e Plano e Plano exigem mais cautela

O Safra tem visão mais seletiva para Plano e Plano (PLPL3). As estimativas de lucro foram cortadas em 31% para 2026 e 2027, diante de vendas mais fracas e pressão sobre margens. Mesmo após queda de 35% no ano, o valuation segue atrativo, mas a menor visibilidade limita o apelo no curto prazo.

No caso da MRV (MRVE3), a análise reconhece melhora operacional, mas aponta a alavancagem como principal fator de risco. Custos mais altos podem pressionar margens, enquanto o processo de desalavancagem da Resia tende a ser mais longo, com possibilidade de novos ajustes contábeis.

Entre os riscos para o setor, o Safra cita inflação de construção acima do esperado, mudanças regulatórias com impacto em custos trabalhistas, maior endividamento das famílias, aumento da inadimplência, redução do funding via FGTS e desafios de execução diante da expansão dos lançamentos.

Para as construtoras, a queda recente das ações não elimina os riscos, mas pode ter criado oportunidades para quem olha os fundamentos com mais cuidado. A mensagem do Safra é que o setor continua atrativo, desde que o investidor seja seletivo e privilegie empresas com execução comprovada, menor beta e maior resiliência operacional.

Sair da versão mobile