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Tarifaço dos EUA pode atingir mais da metade das exportações brasileiras, alerta CNI

CNI alerta que novas tarifas dos EUA podem ampliar a pressão sobre as exportações brasileiras.

CNI alerta que novas tarifas dos EUA podem ampliar a pressão sobre as exportações brasileiras.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que, caso as novas tarifas propostas pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) entrem em vigor, 31,6% das exportações brasileiras ao país norte-americano teriam uma tarifa de 37,5%, o que representaria um aumento de 27,5 pontos porcentuais em comparação à tarifa atual de 10%. Outros 3,6% das exportações teriam um aumento de 10% para 12,5%, um acréscimo de 2,5 pontos porcentuais.

Caso as recomendações sejam implementadas, 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos passarão a estar sujeitas às novas tarifas. Considerando também as medidas setoriais da Seção 232 já em vigor, a parcela das exportações brasileiras submetidas a alguma taxação adicional poderia chegar a 54,1%.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, diz que as medidas tarifárias propostas vão provocar impactos negativos em cadeias produtivas. “A eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos. O caminho mais eficiente é o diálogo, baseado em critérios técnicos e na busca de soluções que preservem uma parceria econômica estratégica para ambos os países.”

O ferro gusa é um dos itens que pagaria 37,5% de tarifa adicional ao invés de 10% como atualmente é aplicado com base na Seção 122. O produto respondeu em 2024 por US$ 1,5 bilhão das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.

Cinco produtos que podem ser impactados com tarifa de 37,5%

– Ferro gusa não ligado;

– Açúcar de cana em forma sólida;

– Sebo não comestível;

– Álcool etílico não desnaturado;

– Molduras de madeira padrão de pinho.

Cinco produtos que podem ser impactos com tarifa de 12,5%

– Minério de ferro e concentrados, pelotas aglomeradas;

– Lajes de quartzito;

– Óleos essenciais de frutas cítricas de laranja;

– Silício;

– Pasta de madeira química, sulfato ou soda, graus para dissolução.

O levantamento considera as listas de exceções publicadas pelo USTR e mantém isentas as exportações que já estão sujeitas às medidas da Seção 232, conforme relatórios divulgados pelo órgão.

Nos dias 6 e 7 de julho, o USTR realizará audiências públicas sobre as duas investigações para discutir as medidas e receber contribuições de empresas, entidades e governos. Também será possível enviar manifestações por escrito.

Para a CNI, essa etapa é uma oportunidade adicional para que o Brasil reforce, com informações e evidências técnicas, que se trata de medidas injustificadas e que prejudicam a relação econômica entre os dois países.

Com Estadão Conteúdo

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