O fundo imobiliário CACR11 teve um dos piores desempenhos entre os FIIs da B3 em maio, encerrando o mês com forte desvalorização. As cotas, que valiam R$ 81,33 no fim de abril, fecharam a R$ 23,97 em 29 de maio, acumulando queda de 70,53%. O movimento refletiu decisões da gestão, riscos de crédito e um ambiente macro mais duro para o setor.
Logo no início do mês, o FII CACR11 anunciou a suspensão da distribuição de proventos referentes a abril, apesar do resultado caixa de R$ 1,24 por cota. A reação foi imediata: em 4 de maio, as cotas despencaram 42,2%, de R$ 81,33 para R$ 47,01. A deterioração continuou nas sessões seguintes, levando o papel a R$ 32,70 em 8 de maio, acumulando 59,79% de queda em cinco pregões.
Cenário adverso para crédito
A gestora justificou a retenção para reforçar o caixa do fundo imobiliário CACR11, manter garantias e sustentar projetos financiados. Apontou ainda o cenário adverso para crédito e real estate, com juros elevados, maior endividamento das famílias, custos operacionais em alta e desaceleração nas vendas. Em paralelo, citou entraves regulatórios e jurídicos em Bahia e São Paulo, como aprovações de projetos modificativos e emissão de Habite-se na capital paulista.
Esses atrasos postergaram lançamentos e repasses de empreendimentos como Savoie, Viva, Real Parque e Station. A combinação de pressão macro, retenção de caixa e cronogramas estendidos alimentou a aversão a risco. Investidores passaram a precificar maior incerteza sobre a previsibilidade de fluxos e a robustez das garantias dos créditos estruturados.
Inadimplência do CRI Helvetia
No fim do mês, a inadimplência do CRI Helvetia adicionou novo estresse ao fundo CACR11. A Bari Securitizadora informou que a Helvetia 5 não quitou notas comerciais vinculadas ao CRI em 22 de maio, deixando o patrimônio separado sem recursos para o repasse de 25 de maio. Segundo relatório gerencial, o CRI tinha saldo de R$ 58,9 milhões, ou 12,7% do PL, intensificando a percepção de risco. As cotas caíram 6,69% em 26 de maio e 16,72% em 27 de maio.
Em meio à turbulência, os rendimentos encolheram. O CACR11 anunciou R$ 0,23 por cota, base 29 de maio de 2026, queda de 80,8% ante os R$ 1,20 anteriores e de 83,7% frente a maio de 2025. É o segundo menor patamar histórico, em contraste com meses recentes acima de R$ 1,20.
