O frango virou o protagonista da vez nas proteínas brasileiras. Segundo análise do Safra, o setor de alimentos e bebidas teve melhora relevante no segundo trimestre, com avanço das exportações, preços mais fortes e custos de grãos menores. Nesse cenário, a BRF (BRFS3) aparece entre as principais beneficiadas, ao lado da JBS (JBSS3), por meio da Seara, enquanto Minerva (BEEF3) segue favorecida no mercado de carne bovina.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que os spreads das proteínas avançaram em junho. A alta foi de 4% na comparação mensal para bovinos e suínos e de 14% para aves, segmento que teve o melhor desempenho entre as proteínas no mês.
BRF (BRFS3) ganha força com exportações de aves
As exportações brasileiras de carne de frango cresceram 44% em junho na comparação anual, impulsionadas pela retomada das compras de países que haviam suspendido o comércio no ano anterior por causa de casos globais de gripe aviária. China, Filipinas, África do Sul e México lideraram a recuperação da demanda.
No segundo trimestre, os volumes embarcados de aves avançaram 21% frente ao mesmo período de 2025. Além disso, o preço médio das vendas externas subiu 12% na comparação anual e 6% ante maio, com China, Japão e México pagando prêmios relevantes em relação aos preços médios globais.
Para a BRF (BRFS3), o cenário é positivo porque combina maior demanda internacional, preços elevados e custos de grãos em queda. A JBS (JBSS3), por meio da Seara, também deve se beneficiar dessa dinâmica.
Minerva (BEEF3) segue apoiada pela carne bovina
Na carne bovina, as exportações brasileiras também seguiram fortes. Os volumes embarcados cresceram 16% em junho na comparação anual e 7% frente a maio, puxados principalmente por China, Estados Unidos, Chile e Arábia Saudita.
No acumulado do segundo trimestre, os volumes exportados subiram 13% ante o mesmo intervalo de 2025. Já o preço médio ficou em US$ 6.538 por tonelada em junho, praticamente estável na comparação mensal, mas 20% acima do registrado um ano antes.
O Safra destaca que a China continuou pagando prêmio relevante sobre os preços médios globais. Ao mesmo tempo, o custo do boi recuou 3% em dólares no mês, o que favoreceu a expansão dos spreads de exportação. A Minerva (BEEF3) é apontada como a companhia mais exposta a essa dinâmica positiva.
Suínos melhoram, mas em ritmo menor
A carne suína teve desempenho mais moderado. Os volumes embarcados caíram 5% em junho na comparação anual, pressionados por menores compras da China e das Filipinas. Ainda assim, permaneceram próximos das máximas históricas para o período.
No segundo trimestre, os volumes cresceram 3% frente ao mesmo período do ano anterior. Com preços praticamente estáveis e insumos mais baratos, os spreads de exportação de suínos subiram 4% em junho.
Segundo o Safra, o ambiente segue construtivo para o setor no segundo semestre de 2026. No caso da BRF (BRFS3), o ponto central é que aves tiveram a maior expansão de spreads entre as proteínas, com alta de 14% no mês, em meio à demanda externa aquecida e custos de grãos mais baixos.
