A Braskem (BRKM5) liderava as perdas do Ibovespa nesta terça-feira (16), depois que a Justiça Federal em Alagoas aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou a companhia ré por crimes ambientais relacionados ao afundamento do solo em Maceió.
Por volta de 13h53, as ações preferenciais da petroquímica caíam 14,81%, a R$ 7,94, segundo dados de mercado. Mais cedo, os papéis chegaram a passar por leilão diante da forte pressão vendedora.
A decisão também envolve 13 pessoas ligadas à companhia e quatro agentes do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas. Entre as acusações estão poluição ambiental agravada, elaboração de estudos ambientais supostamente falsos ou enganosos, extração mineral irregular e dano a patrimônio público.
Mercado volta a olhar para passivo de Maceió
O caso reacende as preocupações dos investidores com o passivo jurídico da Braskem em Alagoas. A companhia já provisionou cerca de R$ 20 bilhões em balanço para lidar com o problema socioambiental relacionado ao afundamento do solo na capital alagoana, que veio à tona entre 2018 e 2019.
Em nota à imprensa, a Braskem reiterou “seu compromisso com a sociedade alagoana, assim como o respeito e solidariedade para com os moradores afetados”.
A companhia também afirmou que “se pronunciará oportunamente nos autos do processo” e ressaltou que, desde o início das apurações, contribuiu com as informações e esclarecimentos solicitados.
A queda desta terça-feira ocorre poucos dias depois de uma notícia positiva para a operação da empresa. Segundo o Estadão, a carga de produção da Braskem aumentou cerca de 15% desde que a Petrobras passou a dividir a gestão da companhia com a nova controladora, a IG4 Capital.
Mesmo assim, a melhora operacional não foi suficiente para compensar o impacto da decisão judicial. Para a Braskem, o dia reforça que, além da reestruturação societária e da recuperação operacional, o passivo de Maceió continua sendo uma das principais variáveis de risco acompanhadas pelo mercado.
