O Bitcoin pode ganhar protagonismo nas carteiras dos investidores ao longo de 2026. Para Victor Savolli, CEO e cofundador da Velotax, o momento atual abre uma janela interessante para quem busca ativos de risco assimétrico, especialmente em um cenário de transição do ciclo de juros e maior volatilidade global.
Segundo o executivo, após uma forte alta seguida de correção, o principal criptoativo do mercado voltou a um patamar que permite aportes graduais. O momento atual permite que os investidores possam investir em Bitcoin sem pressão do “fear of missing out”, nome dado à ansiedade de perder experiências, comum em ciclos mais eufóricos.
“O Bitcoin está em um patamar interessante de compra pensando no longo prazo. É alta volatilidade, não é para todo mundo, mas faz sentido ter uma pequena exposição”, afirma Savolli.
A recomendação, segundo o CEO da Velotax, é que a exposição a Bitcoin e outros criptoativos seja limitada, entre 3% e 5% do portfólio. A lógica segue a estratégia conhecida como barbell, em que o investidor assume um risco controlado em busca de ganhos relevantes, sem comprometer o restante da carteira.
Savolli ressalta que, hoje, o investidor brasileiro conta com ETFs e veículos regulados para acessar o mercado cripto, tanto no Brasil quanto no exterior, o que reduz barreiras de entrada e riscos operacionais.
Quais são as melhores ações para investir em 2026?
Além das criptomoedas, saber escolher ações para investir é fundamental para os investidores com perfis alinhados à exposição em renda variável. Na bolsa brasileira, Savolli avalia que o momento é de “risk on”, com destaque para empresas de consumo cíclico, varejo e construção civil. Segundo ele, o mercado costuma antecipar a melhora dos resultados, o que explica múltiplos mais esticados nesses setores.
“Investir nestes setores é um pouco contraintuitivo, porque o preço caminha antes do lucro chegar. A hora de investir é quando o múltiplo está mais esticado, e a hora de sair é quando o múltiplo fica menor”, explica.
Além da queda dos juros, as tensões geopolíticas, economia norte-americana e o cenário eleitoral no Brasil também devem ficar no radar dos investidores que ainda não sabem onde investir em 2026. Dentro deste contexto, outro segmento de ativos que também pode apresentar um bom desempenho neste ano, segundo Savolli, são as empresas ligadas a commodities.
“Todo tipo de inflação nos Estados Unidos acaba movimentando o preço das commodities em geral, e isso beneficia principalmente energia e petróleo”, diz.
Investir em renda fixa e previdência privada em 2026
Além da exposição à renda variável e a ativos mais voláteis, Savolli reforça que uma carteira equilibrada para 2026 deve combinar diferentes classes de investimento. Segundo ele, a diversificação passa também por instrumentos de renda fixa e pela previdência privada, que pode cumprir um papel estratégico tanto do ponto de vista fiscal quanto de alocação no longo prazo.
Nesse contexto, o CEO da Velotax destaca os planos PGBL como uma alternativa ainda pouco explorada por parte dos investidores, apesar dos benefícios relevantes. “Os fundos de previdência PGBL permitem ganhar de duas formas: aproveitando boas teses de investimento e o benefício fiscal na declaração do Imposto de Renda”, afirma.
Savolli ressalta que a previdência permite ao investidor atravessar ciclos de mercado com mais eficiência, reduzindo decisões impulsivas e aproveitando vantagens tributárias ao longo do tempo. Para ele, o foco deve estar na estratégia de alocação, e não nas oscilações de curto prazo. “Investidores que giram demais a carteira geralmente acabam atrasados nos movimentos e deixam valor na mesa”, conclui sobre onde investir em 2026.
