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BIDB11 supera NTN-B 2032 e ajusta carteira após correção

Ações - Investimentos

Foto: Suno/Banco

O fundo BIDB11 da Inter Asset atravessou um abril desafiador, quando o mercado de debêntures incentivadas passou por uma correção ampla que afetou toda a indústria de FI-Infra. O movimento elevou os spreads dos papéis acima das NTN-Bs de referência, algo não visto desde meados de 2025, refletindo um descompasso entre o forte volume de emissões e a entrada reduzida de novos recursos.

Com o ambiente mais apertado de liquidez, investidores intensificaram resgates e desaceleraram aportes, pressionando preços no secundário. Em resposta, o mercado primário registrou o menor volume de emissões de debêntures incentivadas em 20 meses. A gestão ressalta que a pressão é técnica e não indica deterioração ampla de crédito entre emissores de infraestrutura.

Ajustes pontuais na carteira

Diante desse contexto, o BIDB11 promoveu ajustes pontuais na carteira. A principal decisão foi a saída da posição na Águas do Rio, da Aegea, após questões contábeis ligadas ao reconhecimento de receitas e provisões de inadimplência no projeto de saneamento do Rio. A companhia passou a excluir de suas receitas clientes com longos atrasos ou cadastro incompleto até o efetivo pagamento, alterando métricas de performance.

A revisão de critérios impactou o patrimônio líquido da Águas do Rio e elevou a percepção de risco operacional. Ainda assim, a gestora entende que se trata de um evento com particularidades regionais, sem evidências de problemas estruturais no setor de saneamento. Como consequência, reforçou a disciplina na seleção e no dimensionamento de posições.

Rigor de auditorias e práticas contábeis

Em paralelo, a indústria passou a operar sob maior rigor de auditorias e práticas contábeis, em parte após casos de destaque no mercado de capitais, como Americanas. Nesse ambiente, o fundo intensificou o monitoramento de covenants, estrutura de capital, contas a receber, ágios de aquisições e ativos fiscais diferidos, com foco em preservação de valor e liquidez.

Apesar da abertura de spreads, a gestão avalia que o portfólio segue bem posicionado para o ciclo atual, ancorado na qualidade creditícia dos emissores e no patamar ainda elevado dos juros reais no Brasil. Esse cenário cria oportunidade de carregamento atrativo, com prêmio adicional frente às NTN-Bs em diversos vértices.

No desempenho, o fundo manteve vantagem. Até abril de 2026, a cota de mercado subiu 6,06%, superando a NTN-B 2032, com 4,71%, enquanto a cota patrimonial avançou 1,42%. Desde a criação, a cota de mercado acumula 52,26% e a patrimonial 50,52%, ambas acima dos 38,89% da NTN-B 2032, reforçando a resiliência do veículo.

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