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Dá para bater o Ibovespa com ETFs? Gestoras apontam caminhos

ETFs

Foto: ImageFX

Superar o Ibovespa de forma consistente é um dos principais desafios dos investidores de renda variável, mas a expansão do mercado de ETFs abriu novas possibilidades para esse objetivo. Segundo especialistas de grandes gestoras, o segredo está em combinar diferentes exposições capazes de melhorar a relação risco-retorno no longo prazo.

Na avaliação de Renato Eid, superintendente de estratégias indexadas da Itaú Asset, bater o Ibovespa não é trivial, mas alguns ETFs conseguem superar o índice ao explorar fatores específicos.

“ETFs como BOVV11, DIVO11 e DIVD11 geralmente conseguem superar o índice com exposição a fatores como foco em empresas boas pagadoras de dividendos, alta diversificação e baixa taxa de administração”, afirma.

Contudo, ele chama a atenção para o fato de que um desempenho superior ao índice Bovespa vem de uma carteira estruturada, e não só do “timing de mercado”.

“O investidor precisa de tempo, disciplina e rebalanceamento. Não precisa fazer mágica para bater o Ibovespa”, diz.

A visão é semelhante à de Danilo Moreno, analista da Investo, que lembra que mais de 80% dos gestores ativos não conseguem superar o Ibov em janelas longas, o que reforça a importância de metodologias estruturadas.

Para aumentar a probabilidade de gerar retorno adicional, ele destaca ETFs baseados em fatores, como o QLBR11, focado em empresas com qualidade e eficiência operacional, e o BVBR11, que busca capturar baixa volatilidade e dividend yield.

No campo setorial, Moreno cita ainda estratégias como UTLL11, voltado a utilities, e BEST11, focado em setores perenes da economia.

“Essas metodologias ajudam a aumentar a probabilidade de sucesso no longo prazo”, diz.

Na Nu Asset, o diretor de investimentos Andrés Kikuchi destaca que a combinação de fatores também pode gerar ganhos consistentes ao longo dos ciclos.

“Selecionar empresas do Ibovespa sob diferentes ângulos pode gerar não apenas otimização, mas também desempenho superior ao do índice ao longo do tempo”, afirma.

Ele cita o LVOL11, baseado no fator de baixa volatilidade, como exemplo de alocação estrutural, além de estratégias mais táticas, como HIGH11, de alto beta.

“A chave está em combinar fatores estruturais com oportunidades táticas”, diz.

ETFs fora do Ibovespa ampliam o potencial de retorno

Para os especialistas, ETFs que não replicam estritamente o Ibovespa, como estratégias de small caps, fatores, ESG ou setores específicos, podem ser vistos como instrumentos complementares na busca por retornos superiores.

Eid ressalta que essas estratégias ampliam o leque de possibilidades do investidor e podem trazer novas teses de investimento ao portfólio.

Ele cita ETFs locais como ISUS11, FIND11 e SMAC11 como alternativas ligadas a estratégias específicas do mercado brasileiro. “O ganho vem da combinação, não da exclusão”, afirma.

Moreno segue a mesma linha e destaca que ETFs segmentados permitem acessar empresas e setores com maior potencial de crescimento ou fatores historicamente associados à geração de alfa.

No entanto, ele alerta que essas estratégias podem enfrentar períodos prolongados de desempenho inferior.

“O foco deve estar na qualidade da metodologia do índice, na diversificação entre estratégias e na disciplina de manter a alocação ao longo do ciclo”, diz.

Kikuchi acrescenta que a otimização por fatores pode gerar retornos superiores com menor volatilidade ao longo do tempo, especialmente quando combinada com exposições de qualidade e dividendos.

“A otimização por fatores é a diferença entre investir e investir bem”, afirma, citando o NSDV11, voltado ao fator dividendos, e novamente o LVOL11, de baixa volatilidade.

Exposição internacional também entra na estratégia

A diversificação global é outro elemento frequentemente apontado como ferramenta relevante para quem busca melhorar a performance da carteira em relação ao Ibovespa.

Para Eid, ETFs internacionais como SPXI11 e SILK11 permitem acessar economias com ciclos distintos e setores pouco representados no mercado brasileiro.

“A exposição global não é só busca de retorno, é gestão de risco estrutural”, afirma.

Moreno reforça que investir internacionalmente deixou de ser um luxo e passou a ser uma necessidade, destacando produtos como WRLD11, com exposição ampla ao mercado global, e GPUS11, focado nas maiores empresas dos Estados Unidos.

Segundo ele, a combinação de ETFs locais e internacionais tende a melhorar o retorno de longo prazo e reduzir o risco geral do portfólio.

Na mesma direção, Kikuchi afirma que a exposição global oferece dois benefícios principais: acesso a empresas e setores com dinâmicas distintas do mercado brasileiro e diversificação cambial.

“A combinação de ETFs brasileiros e internacionais permite ao investidor construir um portfólio verdadeiramente global, reduzindo os riscos idiossincráticos de um único mercado”, diz.

Disciplina e diversificação são as chaves para bater o índice

Apesar das diferentes estratégias possíveis, os especialistas convergem na mensagem de que superar o Ibovespa exige disciplina, horizonte de longo prazo e diversificação entre fatores, setores e geografias.

Para Eid, a estratégia passa por combinar ETFs amplos, como BOVV11, com exposições complementares, como DIVO11, e manter a disciplina de rebalanceamento ao longo do tempo.

“Haverá anos de underperformance, e o investidor precisa fugir da tentação de ficar comprando e vendendo o tempo todo”, afirma.

Moreno reforça que bater o índice exige assumir riscos diferentes dos do próprio Ibovespa e manter consistência na estratégia.

“Mais do que tentar acertar o melhor ETF do momento, o sucesso tende a vir de uma estratégia bem estruturada e mantida com consistência”, diz.

Kikuchi resume a abordagem ao destacar que o foco não deve ser apenas o resultado final.

“Não foque apenas em superar o Ibovespa, isso é consequência de um processo disciplinado. Disciplina de alocação supera timing de mercado”, afirma.

Em suma, bater o Ibovespa com ETFs é possível, mas depende menos de um produto específico e mais da combinação de fatores, diversificação global e consistência na execução da estratégia ao longo dos ciclos de mercado.

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