O Banrisul (BRSR6) renovou o contrato de folha de pagamento com o Estado do Rio Grande do Sul, mas os novos termos acenderam um alerta para os analistas. Segundo relatório do BTG Pactual, o banco pagará R$ 1,26 bilhão à vista por um contrato de cinco anos, valor próximo ao desembolsado na renovação feita há dez anos, mas agora por um prazo menor.
Na prática, isso significa que o custo nominal por ano de contrato praticamente dobra. Para os analistas Ricardo Buchpiguel, Eduardo Rosman e Antonio Pascale, o acordo remove uma incerteza importante para o banco, mas veio em condições mais pesadas do que o esperado.
O que pesa para o Banrisul?
O contrato prevê o pagamento de R$ 70 por pessoa ao mês, com base em dados de abril de 2026. Desse total, R$ 1,229 bilhão se refere ao Estado do Rio Grande do Sul e ao IPERGS, além de R$ 35 milhões relacionados a autarquias e fundações.
O impacto aparece em duas frentes. Primeiro, o Banrisul terá uma saída de caixa de cerca de R$ 1,26 bilhão e reconhecerá um ativo intangível no mesmo valor. Como intangíveis são deduzidos do capital regulatório, o índice CET1 deve cair de 14,1% para cerca de 12,2%, ainda considerado saudável pelo relatório.
O segundo efeito está no resultado. Como o contrato agora dura cinco anos, e não dez, a amortização deve dobrar para cerca de R$ 20 milhões por mês, gerando uma despesa incremental antes de impostos de aproximadamente R$ 10 milhões mensais. O BTG estima pressão de R$ 80 milhões no lucro de 2026, concentrada no segundo semestre, e de R$ 160 milhões em 2027.
Mesmo após a queda recente das ações, os analistas mantiveram recomendação de venda para o Banrisul, com preço-alvo de R$ 15. O relatório cita lucro ainda fraco, ROE abaixo de 10% em 2026 e preocupações com qualidade de ativos nas carteiras de pessoas físicas, empresas e agronegócio.
Os analistas afirmam, sobre o Banrisul, que “a renovação da folha remove uma incerteza, mas os termos econômicos vieram um pouco piores do que o inicialmente esperado”.
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