Após um primeiro trimestre acima do esperado, as ações da Ambev (ABEV3) estão liderando os ganhos do Ibovespa nesta terça-feira (5). Por volta das 12h, os papéis da companhia disparam 15,65%, a R$ 16,70.
Nos três primeiros meses deste ano, a Ambev reportou lucro líquido de R$ 3,89 bilhões no 1T26, alta de 2,1% na comparação anual, conforme informou a companhia na manhã de hoje. Na base ajustada, o avanço foi mais tímido, de 0,3%.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado somou R$ 7,55 bilhões, avanço de 1,5%, com expansão de margem de 0,5 ponto percentual, para 33,6%.
A receita líquida, por sua vez, recuou 0,8% no período, para R$ 44,97 bilhões, enquanto o lucro bruto teve leve alta de 0,3%, a R$ 11,58 bilhões. A Ambev também manteve inalterado o guidance de custo por hectolitro em Cerveja Brasil, projetando alta entre 4,5% e 7,5% em 2026.
O que chamou atenção nos resultados da Ambev (ABEV3)?
O principal destaque do trimestre veio justamente da operação de cerveja no Brasil, que contrariou as expectativas mais conservadoras do mercado. Em relatório, a XP Investimentos destacou que os volumes do segmento cresceram 1,2% na comparação anual, um recorde para primeiros trimestres e acima das projeções, que indicavam queda entre 1% e 2%.
Esse movimento reflete, sobretudo, o avanço das categorias premium e super premium, que registraram crescimento na casa dos 20%, compensando parcialmente a queda de um dígito baixo nas linhas core e value. Na avaliação da XP, o desempenho em cerveja Brasil não apenas superou as estimativas da casa, como também deve levar a revisões positivas por parte do mercado.
Na mesma linha, o Itaú BBA destaca que o resultado operacional da Ambev veio cerca de R$ 300 milhões acima de suas projeções, com a operação brasileira sendo a principal responsável pela surpresa. Sozinha, a divisão de cerveja no país contribuiu com aproximadamente R$ 175 milhões desse desvio positivo, impulsionada justamente pelo crescimento de volumes e pela melhora no preço/mix, com maior participação de produtos de maior valor agregado.
A combinação de volumes elevados com avanço de preços ajudou a sustentar margens e impulsionar o lucro, em um cenário no qual parte do mercado esperava pressão mais significativa sobre o consumo. Para analistas, o resultado reforça a capacidade de execução da Ambev (ABEV3) no Brasil, o que explica a reação positiva do mercado.
