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Aluguel sobe acima da inflação e condomínio vira o “segundo aluguel”

Aluguel e condomínio pressionam o orçamento dos moradores.

Aluguel e condomínio pressionam o orçamento dos moradores. Foto: Thomas Hobbs/CC/Flickr

O aluguel residencial ficou mais caro no Brasil e, para muitos moradores, a despesa não termina na mensalidade paga ao proprietário. O condomínio passou a pesar cada vez mais no orçamento, especialmente em regiões onde a taxa representa uma parcela relevante do valor da locação.

Segundo o Índice FipeZap, o aluguel subiu 0,70% em julho. No acumulado de 2026, a alta chegou a 5,97%, enquanto o avanço em 12 meses foi de 9,28%, acima do IPCA acumulado de 4,44% até julho. O levantamento considera os preços anunciados para novos contratos de locação.

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Por que o condomínio pesa tanto?

O condomínio funciona como um segundo aluguel porque reúne despesas que precisam ser pagas todos os meses, como funcionários, segurança, limpeza, manutenção, água, energia das áreas comuns e administração.

Novos empreendimentos também oferecem estruturas de lazer mais amplas, como piscinas, academias, salões de festas e espaços de coworking. Esses serviços valorizam o imóvel, mas aumentam o custo fixo para os moradores.

A inadimplência entre condôminos é outro fator de pressão. Quando parte dos moradores deixa de pagar, o condomínio precisa distribuir o custo entre os demais ou reduzir serviços.

Condomínio pode representar até 40% do aluguel

Um levantamento do Secovi-Rio mostrou que as taxas condominiais subiram acima da inflação em quase todos os bairros analisados entre julho de 2025 e junho de 2026. No Centro do Rio, a alta chegou a 11,8%, enquanto o IPCA do período foi de 4,64%.

Na Zona Norte, a taxa de condomínio chegou a representar até 40,7% do valor do aluguel residencial. Isso significa que um imóvel anunciado por R$ 2 mil pode custar cerca de R$ 2,8 mil por mês apenas com a soma da locação e do condomínio.

O que deve entrar na conta?

Ao procurar um imóvel, o inquilino deve somar aluguel, condomínio, IPTU, seguro contra incêndio e eventuais taxas previstas no contrato. Despesas como água, gás, energia e internet também precisam ser consideradas, embora possam variar de acordo com o imóvel.

Outro ponto é diferenciar o reajuste dos contratos antigos do preço de uma nova locação. O IGP-M, usado em muitos contratos, acumulou alta de 2,16% em 12 meses até agosto. Já o FipeZap acompanha os valores pedidos em novos anúncios, que podem subir mais rapidamente conforme a oferta e a procura.

A pressão sobre o orçamento atinge uma parcela cada vez maior da população. Segundo a PNAD Contínua do IBGE, o Brasil chegou a 18,9 milhões de domicílios alugados em 2025, o equivalente a 23,8% do total de moradias. No mesmo ano, 48,7 milhões de pessoas viviam em imóveis alugados. Com quase um em cada quatro lares dependendo da locação, qualquer aumento no aluguel ou nas despesas do condomínio tem impacto direto sobre uma parcela significativa das famílias.

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